AGORA EXTINTO, GRÁFICOS PERDEM MINISTÉRIO DO TRABALHO E APOIO DO ÓRGÃO NA AÇÃO SINDICAL CONTRA MAUS PATRÕES

Muitos empregados da Emepê e da maioria das gráficas não sabem que o atual bônus financeiro (PLR) maior dos gráficos da Emepê em Vinhedo, resultado da luta da classe de alguns anos, foi devido a ação sindical com o suporte do Ministério do Trabalho (MTb). A mediação do órgão federal, agora extinto pelo atual governo, foi fundamental para dar voz a demanda da categoria, que, na época, queria um reajuste salarial maior, o que não ocorreu, mas, no lugar, garantiu o bônus financeiro que continua presente. E muitas mais mediações em favor da classe de mais empresas, a pedido do sindicato, foram realizadas por anos em proteção aos direitos e salário, como o combate e fim de cooperativas fraudulentas que havia na Oceano em Cajamar. E ainda jornadas excessivas e gráficos sem registros por lá.

Por anos, o MTb ainda deu todo o apoio ao Sindigráficos, com fiscalização em empresas denunciadas pela entidade, para evitar sonegação patronal, como ocorreu na Log&Print em Vinhedo, quando praticava a terceirização ilegal da mão de obra. Auditores fiscais do Ministério pegaram no flagra a irregularidade. A empresa teve que se adequar conforme a legislação. A maioria dos trabalhadores subcontratados puderam entrar com processos na Justiça do Trabalho, a qual o atual governo também quer acabar, onde garantiram todos os seus direitos e a diferença salarial que eram negados.

“Esses são apenas alguns exemplos dos inúmeros que a atuação sindical contou com o suporte do MTb para resolver os problemas criados pelas empresas contra o emprego, direitos, salários e condições do trabalho da categoria”, garante Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Mas, desde 1º de janeiro, após a primeira medida do Bolsonaro no 1º dia do seu governo, não há mais o Ministério do Trabalho. Ele o extinguiu e sem planejamento. Nem mesmo os servidores do órgão sabem como ficará o trabalho. O fato é que o MTb não mais existe em prejuízo ao trabalhador, que deixará de contar com o seu apoio mediante à solicitação sindical.

Até em greve, o Ministério atuava para sanar os problemas criados pela empresa, como a realizada pela classe na antiga Calcografia em Cajamar. “Quem fiscalizará agora as empresas sonegadores de direitos ou aquelas que passarem a relaxar do cuidado com a saúde e segurança da classe?”, questiona Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos. O problema é que há trabalhadores que ainda não perceberam que serão os prejudicados com tal medida. Agora, sem o MTb, o gráfico terá de ele mesmo se juntar com outros de sua empresa e com o sindicato para forçar a sua empresa a se reunir com a entidade sindical a fim de resolver a demanda que surgir. A consciência da classe precisa chegar logo. Só restou a opção da unidade para evitar a sonegação e ou imposições para a redução de seus direitos.