AMANHÃ É DIA DO GRÁFICO. MUITOS FOLGARÃO EM EMPRESAS DE JUNDIAÍ E REGIÃO MESMO SEM SER FERIADO

Os gráficos comemoram o Dia Nacional da categoria nesta terça-feira (7). A data remonta a maior greve da classe na história do País. Amanhã completa 94 anos do início do movimento dos trabalhadores em prol de direitos coletivos e da formação e reconhecimento do sindicato obreiro. Em Jundiaí e Região, existem hoje 6,5 mil profissionais nas indústrias do ramo no local. Uma festa em celebração ao Dia do Gráfico ocorrerá no dia 19, no Sítio São Francisco em Jundiaí. Além da festa, a direção do Sindicato da classe (Sindigráficos), desde que uma parcela dos atuais dirigentes assumiram a entidade em 2003, trabalha firme para valorizar a categoria e assim lutar para consolidar o 7 de fevereiro como feriado nas empresas do setor. A luta continua até conseguir em todas gráficas.

Um quarto do total dos gráficos da região já gozam do direito ao feriado através da luta sindical, consolidado em Acordos Coletivos de Trabalho. O trabalho continuará em busca deste benefício nas demais gráficas. A sindicalização dos trabalhadores fortalece a conquista deste pleito. Até o momento, nenhuma outra empresa dentro do Estado de São Paulo, fora da região de Jundiaí, garantiu o feriado do Dia do Gráfico. “Se o mesmo trabalho fosse feito neste período pelo estado, 20 mil gráficos poderiam folgar amanhã. A quantia equivale a um quarto da classe em todo o SP”, esclarece Leonardo Rodrigues, presidente do Sindigráficos em Jundiaí.  

Apesar disso, os gráficos de qualquer região do estado e do país podem amargar o maior retrocesso dos direitos coletivos garantidos com base na luta e vitória dos gráficos de 1923, responsáveis pelo Dia da Classe. Tais direitos coletivos e a representação sindical (bandeiras do histórico 7 de fevereiro) estão em risco com atuais reformas do presidente Temer. O governo,  em prol do setor patronal, quer flexibilizar leis do trabalho.

Um direito adquirido foi a redução da jornada de trabalho. Antes era bem  superior a 10 horas por dia. Porém, hoje, infelizmente, o empresariado e a determinação do novo governo federal e da maioria do Parlamento, com suas reformas previdenciárias e trabalhistas, querem restabelecer o retrocesso de quase 100 anos. Querem inclusive a jornada diária de 12 horas e um menor tempo para refeição e dificultar a aposentadoria e etc. Nem a cruel Ditadura Militar foi capaz disso. O cenário recoloca o gráfico de hoje no mesmo desafio já enfrentado no 7 de fevereiro do passado.

Tal data e todo seu legado reacende a luta de classe. Reconvoca todos ao necessário combate entre o trabalho (gráficos e demais profissionais) e o capital (representado hoje pelo presidente Temer e seus apoiadores dos setores empresariais e políticos). O capital inclusive já começou. Basta observar tantas ataques à classe trabalhadora em pouco tempo. São eles: reformas previdenciária e trabalhista, congelamento de gasto público por 20 anos, venda do pré-sal/Petrobras e aceno à privatização.

O projeto político do governo central agora é só contrário ao trabalhador e favorável ao empresário. Cenário igual ao da época quando houve a histórica greve da classe que originou a comemoração do 7 de fevereiro. Ou seja, a classe trabalhadora atacada pela classe patronal e política. A força deles é ainda maior. A classe dominante conta com o poder maior da mídia para construir uma representação da realidade social de modo acrítico com valores conservador, consumista e individualista –  condição esta perfeita para amenizar os ânimos de quem perde (o trabalhador).

Será uma luta dura com os políticos no Congresso Nacional neste ano. Na pauta, a aprovação dessas reformas previdenciária e trabalhista. Se aprovadas, flexibilizarão direitos históricos, inclusive os direitos coletivos dos gráficos e a representação sindical (ícones do 7 de fevereiro). Isso ocorrerá porque permitirão, por exemplo, o patrão negociar os direitos e salários abaixo das convenções, através do negociado sobre legislado.

Portanto, o 7 de fevereiro deste ano será diferente dos outros 93 anos.  Neste, sindicalistas e trabalhadores já conscientes do atual processo precisam fazer a categoria entender do risco que corre; intensificar a luta e fazer o interesse dos trabalhadores chegar aos políticos e autoridades. A celebração do legado do 7 de fevereiro é sempre necessário para não pode esquecer dos heróis de 1923, mas a demanda atual é lutar para fazer com que se mantenha este legado: os direitos, inclusive o feriado