AO INVÉS DE EXPANSÃO ANUNCIADA, GRUPO LEVA BILPRESS À RECUPERAÇÃO JUDICIAL E AMEAÇA OS DIREITOS DE GRÁFICOS

Meses após um novo grupo econômico assumir a gráfica Bilpress, situada em Itupeva, não ocorreu a prometida expansão produtiva de embalagens farmacêuticas imprensas, tampouco novas contratações. Pelo contrário, a empresa sequer cumpriu a promessa de pagamento do FGTS e PLR da categoria quando assumiu a gráfica no ano passado, e se reuniu com uma comissão de trabalhadores e o sindicato da categoria (Sindigráficos). Ao invés disso, demitiu e, sem comunicar o sindicato, parcelou o pagamento das verbas rescisórias de empregados. Agora, paralisou os pagamentos depois que entrou em Recuperação Judicial, uma manobra que suspende o dever trabalhista enquanto busca reergue a gráfica ou entra em falência.

Diferente de agosto de 2018, quando o novo diretor do grupo econômico, Alexandre Peccicacco, nos convidou para uma reunião, só soubemos da recuperação judicial devido a uma denúncia de um dos cinco demitidos que ficaram sem receber as parcelas das suas verbas rescisórias. “Na época, o diretor nos falava de expansão, de muitos clientes e servidos já agendados para diversos meses adiante. E, curiosamente, agora quebra. Falava em elevar a produção das 10 mil toneladas de embalagem mensal em seis vezes”, estranha Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

O sindicalista também estranha pelo fato do silêncio anterior dos gráficos ao serem demitidos e não denunciarem antes ao sindicato que a empresa não havia pago integralmente as suas verbas rescisórias, mas parcelado. O fato nunca aconteceria se ainda continuasse obrigatória a homologação da rescisão contratual no sindicato. Mas isso foi flexibilizada pela nova lei trabalhista. Com isso, o sindicato só ficou sabendo agora das demissões e do parcelamento dos direitos. E só soube porque um dos demitidos fez a denúncia diante da suspenção do pagamento pela recuperação judicial.

Diante da situação de ameaça aos gráficos demitidos com esta manobra judicial, bem como frente à insegurança aos empregos e ao cumprimento dos direitos de todos gráficos que continuam na empresa, o Sindigráficos cobrará do grupo econômico que assumiu a Bilpress a informação sobre a situação empresarial deste suposto cenário caótico e não de expansão.  “O fato é que, se confirmado tais problemas, não bastasse os problemas antes existentes na empresa e não resolvidos como prometido pelo novo grupo, o cenário difícil ampliou com esta recuperação judicial”, questiona.