APESAR DA CRISE, GRÁFICOS DEFENDEM SALÁRIOS E DIREITOS E EVITAM PERDA SALARIAL E MANTÊM PLR PARA MAIS UM ANO

Desde o final de 2017, quando passou a valer a lei da reforma trabalhista de Temer, com o voto de Bolsonaro quando ainda era deputado, que os 85 direitos dos gráficos acima da CLT perdem a validade a cada ano. São tais direitos que garantem o pagamento da PLR. E evitam que o gráfico receba salário mínimo, por exemplo. Contudo, com essa nova lei, não tem mais essa de direito adquirido. Se a categoria não conseguir renovar sua Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), até a data-base da classe, que este ano mudou de 1º de novembro para 1º de setembro, acaba tudo. Não foi à toa que a geração de emprego e os salários e direitos justos foram a principal bandeira de luta da campanha salarial, puxada pelo Sindigráficos este ano e encerrada pelos gráficos em assembleia no último domingo. É por isso que a PLR vai continuar sendo mantida por mais um ano e haverá a recomposição salarial dos empregados baseada na inflação do período.

“Parte de nossas bandeiras de luta foi alcançada: salário e direitos justos. Não houve o ganho real como queríamos, mas também não houve perda. O resultado foi do tamanho da luta dos trabalhadores. Recompusemos as perdas salariais frente à inflação acumulada de 1º de novembro de 2018, quando teve o último reajuste, até o último mês. Por conta disso, o salário de setembro já virá com o aumento inflacionário dos últimos 10 meses. O novo salário terá um reajuste de 2,6%, pouco superior à inflação oficial do governo que registrou 2,56% frente à paralisia da economia”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região (Sindigráficos). O reajuste é baseado na inflação oficial. Dessa forma, em assembleia, os gráficos aprovaram o reajuste de 2,6% para quem recebe até 9.779,10. E, acima disso, valor fixo de R$ 254,26.

Os gráficos também aprovaram a PLR com o mesmo valor para mais um ano. O resultado foi do tamanho da luta da classe na campanha salarial. E tal direito foi mantido até agosto de 2020, quando vencerá a Convenção Coletiva de Trabalho e todos os 85 direitos, inclusive a PLR, deixarão de valer em 1ª de setembro/20, com base na nova lei da reforma trabalhista. “Pela nova regra, todos direitos acima da CLT deixarão de existir se não tiver a resistência maior do conjunto dos gráficos na próxima campanha salarial, pois precisará defender a convenção e todas as bandeiras de luta levantadas neste ano”, fala Luís Carlos Laurindo, advogado do Sindicato.

A campanha será bem mais difícil no próximo ano. Porque estará em jogo todos os 85 direitos da convenção dos gráficos. Neste ano, graças a forte atuação do Sindigráficos em 2018 e de parte dos trabalhadores, a grande maioria dos direitos coletivos foram renovados por dois anos, até agosto de 2020, ficando só a PLR e o reajuste salarial para tratar com os patrões agora em 2019. Mas ano que vem será tudo ou nada por conta da nova lei. Tudo só dependerá do tamanho da luta dos gráficos junto ao sindicato.

O tamanho da luta da categoria deste ano foi capaz de evitar o que ocorre com outras classes com o fim da PLR e rebaixamento salarial. A bandeira de luta dos salários e direitos justos foram alcançados com a garantia da PLR e do conjunto de direitos coletivos pela luta de 2018, e a recuperação do salário frente à inflação. Mas será preciso mais na campanha de 2020. Até lá, os trabalhadores precisam valorizar seu sindicato. “Se não houver um acerto na negociação da campanha salarial com o patronal, não existe mais isso de direito adquirido depois da data-base dos gráficos. Portanto, só a luta unificada dos trabalhadores junto do sindicato fará com que os direitos superiores à CLT, como a PLR e os demais, continuem mantidos. A luta não será mais pela recomposição salarial, mas todos seus direitos.