APESAR DA CRISE, BERCRON AMPLIA EMPRESA E QUER EXCLUIR CAFÉ DA MANHÃ E ATÉ LANCHE DOS GRÁFICOS

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Embora se fale em crise financeira, há gráficas que não passam por ela. Um exemplo é a Bercron, em Valinhos, que ampliou as suas instalações diante do aumento produtivo. Apesar disso, a proprietária quer suprimir benefícios. Ela também mantém irregularidades conforme foi monitorado pelo Sindicato da classe (Sindigráficos). Não bastasse acumular férias e deixar de pagar o PLR dos empregados, a empresa agora quer retirar o café da manhã e o lanche dos funcionários que fazem hora-extra, além de não instituir a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). O sindicato lutará para evitar a retirada de benefícios e o cumprimento das obrigações legais. Porém, a entidade alerta aos 40 gráficos da Bercron, que, sem a participação deles junto ao sindicato em prol deles mesmos, o combate à desvalorização e descumprimento das leis tende a ser mais difícil e assim persistir o cenário adverso por mais tempo. Sindicalize-se!

BERCRON2“Mesmo em expansão, a dona da Bercron quer retirar benefícios que já são poucos frente à alta produção e trabalho dos gráficos na empresa”, critica  Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O dirigente não acha justo que a dedicação dos empregados seja retribuída com retirada do café da manhã e do lanche. O sindicato, por esta razão, convocará a gráfica para se reunir em breve. Na pauta, os sindicalistas defenderão a manutenção dos benefícios. Abordarão ainda sobre o descumprimento de direitos postos em leis trabalhistas e convenção coletiva de trabalho.

O sindicato já até solicitou ao Ministério do Trabalho uma fiscalização na Bercron para apurar denúncias de não existir Cipa, colocando em risco a saúde e a segurança dos empregados. A ação visa verificar também as sonegações com atrasos no FGTS dos gráficos, acúmulo na concessão das férias, bem como o não pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), como define a Convenção de Trabalho da categoria.

Em 2015, inclusive, o Sindigráficos já havia atuado junto à empresa para corrigir um problema referente ao pagamento da hora-extra dos gráficos. A Bercron adotava o sistema de banco de horas, o que é proibido nas indústrias gráficas do Estado, conforme define a Convenção da classe. Mediante a pressão sindical, a gráfica corrigiu o problema logo depois.

BERCRON1Além de voltar a pressionar a empresa para resolver falhas pendentes e evitar novas injustiças contra os funcionários, os sindicalistas buscarão se reunir com os empregados da empresa. “O nosso intuito é mostrar ao gráfico que separado do sindicato, sem sindicalizar-se e participar dos enfrentamentos necessários, os empresários costumam sacrificar ainda mais os trabalhadores”, diz Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos.

O advogado do Sindigráficos, Luisinho Laurindo, lembra que na ocasião da reunião com os trabalhadores da Bercron, foi apresentado a eles os melhores e possíveis direcionamentos para buscar evitar a supressão do café da manhã e lanches, bem como as iniciativas para fazer com que a Bercron pague efetivamente o PLR, FGTS e outras pendências.

jj6Jornal de Jundiaí 

Depois da pressão sindical e dos trabalhadores, com até paralisações há duas semanas, e risco iminente de greve por tempo indeterminado, o dono do Jornal de Jundiaí recuou e aceitou se reunir com os gráficos na sede do Sindigráficos. O empresário pagou parte do salário e benefícios atrasados e se reunirá outra vez com os trabalhadores e sindicalistas na próxima segunda-feira (7), para buscar sanar o restante das pendências. Viva a luta dos trabalhadores. Viva os Gráficos!