BAIXO SALÁRIO NAS GRÁFICAS PROVOCA DESINTERESSE DAS PESSOAS DE FAZEREM ATÉ CURSOS GRATUITOS PELO SENAI

Houve um tempo em que o teto salarial nas gráficas era superar ao salário de metalúrgicos e até de bancários. Hoje, porém, empresas têm aplicado um arrocho sobre a remuneração do trabalhador. E só não é pior porque existe um piso salarial de R$ 1.630,20, definido pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria (CCT). Porém, os salários acima do piso estão sendo atacados sistematicamente pelos patrões. Como a lei não permite o rebaixamento salarial de quem já está contratado. As gráficas improvisam para atingir este objetivo. Diante da grave crise econômica e desemprego, tem pressionado os gráficos a serem demitidos e readmitidos com menor remuneração. Assim, o patrão diminui sua folha de pagamento às custas do trabalhador. Não só o gráfico, mas todo o setor pena diante desta ação. O desinteresse de ser gráfico cresceu. E, por isso, hoje já não há mais os cursos gratuitos do Senai oferecidos em parceria com a Federação Paulista da classe. As empresas sentem dificuldade de encontrar profissionais qualificados, bem como acumulam os prejuízos pela mão de obra não especializada.  

“A parceria entra a Federação e o Senai oferecia vários cursos gráficos à nível de estado. E encerrou porque não há mais gente interessado em estudar esta profissão por conta dos salários nada atrativos pagos pelas empresas do setor”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato da classe (Sindigráficos) em Jundiaí e região. Ele conta que o rebaixamento salarial iniciou de forma pontual e específica no setor. Era só as gráficas do segmento editorial que adotavam esta manobra como estratégia para enfrentar os desafios estruturais diante da crise sobre os livros e revistas impressas por conta da mídia digital. O que antes era localizado, agora se tornou generalizado nas gráficas em geral, com prejuízo para o setor.

Com a imposição do rebaixamento salarial pelas gráficas, o desinteresse do trabalhador na área aumenta. Já não tem a parceria no Senai, deixando de forma mais profissionais qualificados. A mão de obra especializada, a mesma indispensável para a empresa, inclusive para evita perdas, cairá gradativamente, como já cai. No passado recente, havia até disputa dessas vagas da parceria com o Senai para se fazer o curso gráfico gratuito. “Espero que o patronal perceba, em tempo, que o está acontecendo. Cai o número de trabalhadores qualificados por culpa do baixo salário que as empresas impõem a seus funcionários”, destaca.

É suicida a continuação dessa manobra patronal de redução da folha de pagamento sobre o salário dos trabalhadores. Usar da crise econômica e das altas taxas de desemprego para rebaixar a remuneração do gráfico, vai destruir o próprio setor gráfico. E enquanto vai mantendo e destruindo, a dificuldade das gráficas de acharem profissionais qualificados só evolui. Também cresce os prejuízos com a baixa produtividade e a qualidade dos produtos em função da mão de obra desmotivada pelo baixo salário, ou devido aqueles que se submetem porque aprendem a função na prática.

Campanha salarial – Este ano será antes. O reajuste salarial anual será adiantado. Será agora em 1º de setembro. Não mais em 1º de novembro. A nova data-base da classe foi antecipada na negociação do último ano. “O patronal terá uma oportunidade para evitar a decadência do setor. Já chegamos em uma situação em que até o Senai reduziu o número de turmas em decorrência dos baixos salários nas gráficas. Se a crise econômica é ruim para o patrão, imagine para o trabalhador, este que procurará outra área onde paga melhor. É por isso que pouco gente quer se tornar gráfico. Logo, a empresa que pensa em curto prazo, pode até achar que é lucro reduzir o salário dos seus empregados, mas que não pensa no dia de amanhã, quando o setor deixar de ser atrativo”, diz.