BENTECH É FLAGRADA COM TRABALHADORAS CLANDESTINAS EM UM GALPÃO ALTERNATIVO. TEM ATÉ IMIGRANTES DO HAITI

Na última semana, durante a entrega do jornal do Sindicato dos Gráficos (Sindigráficos) pelas empresas do ramo em Cajamar, a entidade flagrou a produção da Bentech repleta de trabalhadoras sem qualquer registro. Havia inclusive exploração da mão de obra de mulheres vindas do Haiti. A quantidade de trabalhadoras brasileiras e hatianas clandestinas era grande. Superava o quadro de profissionais com a carteira de trabalho assinada. A irregularidade foi descoberta em um prédio auxiliar próximo ao galpão principal da gráfica. O sindicato suspeita de que a empresa tentava encobrir a exploração ilegal da mão de obra dessas mulheres. O caso já foi enviado ao setor de fiscalização do Ministério do Trabalho.

No galpão, o sindicato levantou que elas recebiam por dia para atuar no setor de acabamento sem proteção legal em caso de acidente e doença. Também eram excluídas dos direitos da convenção coletiva de trabalho da classe e da CLT. Sem direito às férias, 13º, FGTS, INSS. Recebiam abaixo do piso salarial. Eram descartáveis e violadas em seus direitos. Dos atuais 25 profissionais da gráfica, o Sindicato acredita que 15 estão convivendo nesta situação, submetendo-se a uma exploração medieval. Destas, foram identificadas, ao menos quatro imigrantes haitianas. Além do caos de terem de abandonar seu país natal, elas ainda enfrentam tal violação extrema de direitos no Brasil, praticada pelo dono da Bentech.

“A Bentech conseguiu superar em desumanidade até a retrógrada nova lei do trabalho. De forma ilegal, a empresa retira ainda mais direitos. E avança em atrasos piores que os novos contratos de trabalho precários. Aliás, nem contrato se julga mais necessário fazer com o empregado”, repudia Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Foi o dirigente que flagrou a situação das mulheres laborando no galpão alternativo da empresa, que tem funcionado no prédio da antiga empresa Cajagraf.

O Sindigráficos revela que não é a primeira vez que a Bentech tenta agir fora da lei, apesar de só estar há cinco anos na região. No passado, foi necessário a atuação sindical para corrigir o atraso salarial constante no local. Também agiu diante de demissões em massa. E ainda lutou para que os trabalhadores recebessem as suas verbas rescisórias na justiça.

No caso atual, uma fiscalização do Ministério do Trabalho já foi pedida pelo sindicato. Contudo, além da autuações e sanções previstas diante da manutenção de funcionários clandestinos, o Sindigráficos acionará o INSS.

A entidade solicitará uma fiscalização no local, já que as gráficas estão desprotegidas. Elas correm risco de doença e acidentes sem ter a guarida dos benefícios previdenciários, ou de qualquer outro direito já que estão sem a carteira assinada. A violação de direitos é significativa. Ademais, o sindicato já estuda procurar outros órgãos competentes para tratar o caso do trabalho clandestino das imigrantes do Haiti na Bentech.

Além disso, todas trabalhadoras também podem procurar o Sindigráficos para que o setor jurídico busque na Justiça o devido registro profissional e ainda todos direitos e salários negados durante o tempo clandestino. A entidade aproveita e lembra as profissionais que apenas unificadas e em torno da entidade de classe toda essa violação de direitos pode acabar. Juntos, somos sempre mais fortes. Sindicalize-se AQUI e agora mesmo!