BERCRON REDUZ JORNADA, CONTINUA PAGANDO HORA-EXTRA EM DINHEIRO E DÁ FOLGA NO DIA DOS GRÁFICOS

Os trabalhadores das gráficas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e demais regiões do estado de São Paulo recebem 65% ou 100% a mais da hora de trabalho que extrapola o horário do expediente oficial. O valor é dobrado quando a hora-extra é feita em feriado e domingo. É de 65% em dia de semana. O direito está garantido há décadas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da classe. Mas, deste o último dia 11, se depender da reforma trabalhista do Temer, a conquista pode deixar de existir, pois a nova lei permite a compensação das horas ao invés do pagamento em dinheiro. Foi isso inclusive que o sindicato dos donos das gráficas paulistas exigiu na última semana durante a 3ª rodada de negociação salarial anual e renovação da CCT. Uma nova rodada será realizada nesta sexta-feira (24). Mas os gráficos da Bercron, na cidade de Valinhos, não temem tal mal, porque, devido a cobrança do Sindicato da categoria (Sindigráficos) aos donos desta empresa, foi firmado o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) onde garantiu o pagamento da extra e mais direitos.

Os termos finais do ACT foram definidos recentemente. Os gráficos aprovaram de imediato. A Bercron tem crescido bastante no último ano, inclusive com aquisição de maquinários e contratação de mais gráficos. A novas contratações resultaram inclusive após denúncias e respectiva cobrança sindical contra a sobrecarga de jornada sobre os funcionários. Apesar de mais gráficos, a carga de trabalho continuou elevada. Assim, após dois meses de tratativas, o Sindicato garantiu no acordo a redução de jornada semanal para os funcionários dos três turnos. “Garantimos o emprego e a vida social deles, sobretudo nos finais de semana. Ainda garantimos a todos a concessão do Feriado do Dia dos Gráficos em 7 de Fevereiro”, comemora Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato.

 

A maior jornada semanal de trabalho caiu de 44 horas para 41,5 horas. Os funcionários do 1º e 2º turnos deixaram de trabalhar todos sábados, passando a ser realizado de forma alternada. Os gráficos do 3º turno, que trabalham no horário noturno, passaram a folgar todos os domingos, tendo uma jornada semanal somente de segunda a sexta de 22hs às 6h.

 

O acordo garante ainda que a demanda de serviço extra continua sendo paga em dinheiro com base nos valores da Convenção, independente da reforma trabalhista. Diante da injustiça desta nova lei do Temer e dos problemas futuros que a empresa pode vir a sofrer perante insatisfações dos trabalhadores e acirramento da classe, alertados pelo Sindicato, os donos da Bercron afirmaram não ser justo deixar de pagar a hora-extra.

 

Outra injustiça da reforma trabalhista que não será seguida pela Bercron, definida durante a negociação do ACT, é que homologação da rescisão contratual de trabalho continua sendo feita no Sindigráficos. “Se é a falta de transparência o maior problema hoje na política e em tudo, porque a empresa se esquivaria de mostrar ao gráfico demitido e ao sindicato que está pagamento tudo como manda a lei. Quem não deve, não teme. Só patrões mal intencionados buscarão se esconder do sindicato na hora de pagar tudo aquilo que deve ao trabalhador”, fala Rodrigues. Ele alerta os 6 mil gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região a não assinarem nada de homologação das empresas que realizam fora do Sindigráficos.