BILPRESS AUMENTA RITMO PRODUTIVO COM PRESSÃO NOS GRÁFICOS COM JORNADA MAIOR E VIGIA USO DE BANHEIRO

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Uma nova ferramenta no Facebook do Sindicato dos Gráficos de Jundiaí e Região (Sindigráficos) permite enviar denúncia para o e-mail da órgão. Basta selecionar o ícone Enviar Mensagem bem abaixo da foto principal. A ferramenta mal foi instalada e as queixas já chegam. Uma dela mostra que os trabalhadores da Bilpress, em Itupeva, tem maiores chances de sofrerem acidentes e outros prejuízos à saúde e até financeiramente. O maior risco deriva do assédio moral praticado por chefias para que eles  aumentem a produtividade de forma abusiva. Os gráficos estão sendo obrigados a fazer hora-extra, operar mais de uma máquina ao mesmo tempo e elevar a velocidade da produção das máquinas. Até o uso do banheiro tem sido monitorado. A empresa é reincidente na prática de assédio moral. No passado, o Sindicato interviu e a gráfica chegou até a demitir um chefe assediador. O Sindigráficos convocou a empresa para prestar esclarecimentos. A entidade adianta que o aumento de serviço, o que mostrar o reaquecimento da economia, não pode ser usado para oprimir mais os gráficos, e sim o contrário, além de voltar a contratar.

bill2“Pressão para o trabalhador fazer hora-extra e para o gráfico aumentar o ritmo da produção da máquina podem ser considerados como assédio moral, pois quem define o ritmo é o operador, bem como se deseja fazer o trabalho adicional após a jornada obrigatória por lei”, diz Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindicato. O jurista lembra ainda que o serviço gráfico é considerado de precisão, portanto, exige atenção direcionada ao maquinário que opera, logo, é inadmissível monitorar duas máquinas.

O Sindigráficos pedirá explicações como funciona esta questão no local, o que amplia os riscos de acidentes e reduz a qualidade do produto. “O ritmo da máquina está atrelado à sua tecnologia, idade e à manutenção da mesma, além da operação dos gráficos”, ressalta Leandro Rodrigues, presidente da entidade de classe. O dirigente aproveitou para lembrar também que a hora-extra tem que ser espontânea e não obrigatória pelo patrão. Ele frisa que a lei só obrigada a jornada de trabalho definida, e, de forma excepcional, a realização da hora-extra que não pode passar das 10 horas de trabalho diário, mesmo que tenha serviço em excesso.

“É um contrassenso receber denúncias de jornada excessiva, quando os patrões falam de crise. Crise com serviço em excesso não existe. O que existe é manter o discurso da crise para não contratar e explorar o ritmo de trabalho dos gráficos”, critica Jurandir Franco, diretor do Sindicato. As reclamações dizem que até o banheiro está sendo controlado no local.

Insalubridade

As denúncias também apontaram que os gráficos convivem com outros problemas prejudiciais à saúde e no quesito financeiro. As reclamações revelam que muitos empregados manipulam produtos químicos que são considerados insalubres. Se confirmada a informação, a Billpress deve pagar adicional de insalubridade aos trabalhadores, ampliando o salário dos gráficos e oportunizando a estes o direito à aposentadoria especial (benefício previdenciário com menor tempo para concessão). “É preciso que os empregados nos procure para traçarmos a estratégia específica para provarmos esta questão caso exista”, alerta o advogado Laurindo.