BOLSONARO PREJUDICA A INDÚSTRIA GRÁFICA E PODE SOBRAR PARA O TRABALHADOR TAMBÉM NESTA CAMPANHA SALARIAL

Bolsonaro virou presidente mesmo dizendo aos seus eleitores não saber de economia. E, diante da desindustrialização e desemprego crescentes e da baixa na produção e comercialização nos meses do governo, nem mesmo seu ministro Guedes sabe. A indústria gráfica é uma das vítimas e os trabalhadores ainda mais prejudicados. A produção gráfica recuou nos 1º e 2º trimestres deste ano em comparação ao mesmo período do governo Temer, este que já foi pior que nos períodos de Dilma e de Lula. E as empresas passaram a demitir mais do que contratar no 1º semestre. Ao todo, durante a 1ª rodada de negociação salarial na última terça-feira, o patronal revelou que o setor encolheu de 90 mil para 75 mil profissionais.

Os dados sobre esta queda seguida da produção gráfica e do emprego são do Boletim de Atividade Industrial da Associação Brasileira Gráfica (Abigraf) – entidade nacional dos donos das gráficas. Não bastasse isso, a projeção para o futuro também preocupa. O desastre do governo sobre as políticas educacionais e internacional também afetam fortemente todos do setor gráfico. O boletim da Abigraf mostra inclusive queda na balança comercial do 1ª trimestre. “Bolsonaro não para de atacar verbalmente os países estrangeiros, a maioria principais exportadores do Brasil, como a China, Argentina e mais”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região (Sindigráficos).

Nem mesmo a Abigraf poupa mais Bolsonaro. “Não dá para acreditar nesse governo”, disse o diretor editorial da entidade em resposta ao corte recente anunciado pela União – corte que disse antes que não haveria. A crítica é de João Scortecci publicada no Jornal Valor Econômico do dia 6. A revolta deriva do corte governamental no valor de R$ 348,4 milhões no seu orçamento já previsto para produção de livros para educação básica. O problema é maior que esse corte milionário, a Abigraf denunciou que o governo deve R$ 350 milhões em livros já impressos de outro programa.

250 editoras, segundo a reportagem do Valor, amargam com o prejuízo, sendo a maior parte delas de pequeno porte. “O setor gráfico é formado majoritariamente por micro e pequenas empresas. 85% delas não têm 20 trabalhadores. O prejuízo posto pelo governo para essas empresas, onde quase todas eram apoiadoras de Bolsonaro a presidente, afeta de forma quase que direta todos profissionais que nelas atuam. Assim, criticar este governo não se trata de ser de esquerda ou de direito, mas uma questão de lutar contra a injustiça que tem sido a tônica deste governo”, realça Leonardo Del Roy, presidente da Confederação Nacional dos Gráficos.

Neste contexto de aprofundamento de crise econômica, maior até que em três anos de governo Temer, com prejuízo para as indústrias e empregos gráficos, que ocorreu a 1º rodada de reajuste salarial do Sindigráficos e demais sindicatos paulistas com o patronal do setor. Outra rodada será realizada na 1ª quinzena de setembro, período em que o governo deve anunciar a inflação de agosto – índice indispensável para a aferição da inflação acumulada deste o último reajuste salarial. E assim poder definir o percentual real para a recomposição da remuneração dos empregados.