CARTA ABERTA DA FEDERAÇÃO PAULISTA DOS GRÁFICOS À CATEGORIA DEMONSTRA PERIGOS NESTA CAMPANHA SALARIAL

Está começando a nova campanha salarial dos gráficos paulistas. E será bem diferente das anteriores. Não apenas porque tratará só da questão do reajuste salarial e da PLR. Mas porque, em sintonia com a posição dos governos recentes do Brasil, o setor patronal tem incentivado de forma sistêmica as empresas ao enfraquecimento dos sindicatos da categoria (STIGs) e ao afastamento de trabalhadores à sua entidade representativa. Portanto, será uma campanha salarial onde o maior prejudicado já será o gráfico diante da intencional fragilização estrutural e política da entidade, a única dos trabalhadores para a negociação salarial e dos seus direitos superiores à CLT. Portanto, se a classe não fortalecer financeiramente e politicamente a Federação Paulista dos Gráficos (Ftigesp) e os sindicatos filiados, estes que negociam direto com o patronal todo reajuste salarial e direitos para categoria, o maior prejudicado será este próprio trabalhador.

Há décadas, a Ftigesp coordena, juntamente com os STIGs, negocia com o setor patronal. Nos últimos anos, por exemplo, o salário aumentou 24% acima da inflação. A PLR continua para todos trabalhadores da categoria. E varia de R$ 605,72 a R$ 890,80. Também tem cesta básica mensal. E varia de R$ 90 a R$ 120 por região do estado. O piso salarial para iniciante é bem superior ao mínimo nacional. O piso é de R$ 1.630. É maior ainda os valores de hora-extra e adicional noturno se comparados à CLT. Tudo isso e muito mais está contido na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da classe, esta negociada todo ano pela Ftigesp e STIGs com o patronal.

Portanto, sem Ftigesp ou STIGs, ou deixando-os enfraquecido, como tem feito as ações governamentais recentes, reproduzidas sistematicamente pelo setor patronal gráfico, contrariando até regras da CCT para fragilizar os sindicatos dos trabalhadores, o prejuízo maior será sobre os gráficos. “Este cenário e postura governamental/patronal têm colocado para cada trabalhador enormes dificuldades para que nós da Ftigesp e dos STIGs possamos continuar garantindo os direitos pelo processo de negociação salarial”, adianta Leonardo Del Roy, presidente da Ftigesp na carta aberta a ser enviada para os trabalhadores através dos sindicatos nas regiões.

A carta aberta da Ftigesp para os gráficos não se limita a apresentar esses perigos maiores sobre os próprios trabalhadores, mas mostram formas de encontrar soluções de modo a reverter parte dos desafios colocados pelo setor patronal e do governo. Uma forma de buscar evitar a perde de direito é fortalecer estruturalmente o seu STIG para continuar firme na campanha salarial e na negociação com o setor patronal. Para isso, basta contribuir financeiramente com o seu sindicato de forma anual (contribuição sindical e contribuição assistencial), ou de forma mensal e mais ativa (através da sindicalização). A contribuição sindical, por exemplo, tem valor simbólico para o trabalhador diante dos benefícios garantidos pela CCT, mas é vital para os STIGs se manterem forte na negociação com o patronal. É só R$ 55 por ano para quem recebe piso salarial; e R$ 100 se recebe R$ 3 mil.

Com a mudança da lei pelo governo Temer, tal contribuição não vai mais direto para o STIG. Precisa da permissão individual e prévio do gráfico. E com uma decisão recente de Bolsonaro, também com apoio do patronal, foi limitado também a contribuição assistencial e até a dos sindicalizados. Tudo foi mudado para enfraquecer a Ftigesp e os STIGs, estes os únicos que garantem o reajuste salarial e direitos superiores à CLT para a classe. Este é o cenário posto para que os trabalhadores tomem conhecimento do risco que correm se se recusarem a fortalecer o seu sindicato. A única decisão, contudo, continua sendo do trabalhador. “É você quem vai dizer se vale a pena manter a Ftigesp e os STIGs. Mas se não reagir, contribuir e participar de alguma forma e urgentemente, será o trabalhador o maior prejudicado”, adianta Del Roy.

O autor desta carta aberta conhece o setor gráfico ao longo de sua vida de quase 80 anos de idade. Várias décadas como tipógrafo e, desde 1991 ele é dirigente da Ftigesp, a maior parte enquanto presidente da entidade. Portanto, Del Roy é um profundo conhecedor e atuante nas negociações salariais e de direitos com o setor patronal por todo esse tempo. Ele avalia que este é o cenário político mais difícil dentre todos. Logo, apesar disso, a solução se encontra ainda e unicamente dentro da própria classe trabalhadora unificada e mobilizada. Será a decisão de cada gráfico mais uma vez que pode superar os perigos atuais. Vamos à luta. Juntos, somos sempre mais fortes. Sindicalizem-se!”, fala Del Roy.

FONTE: Com informação da FTIGESP