COM JORNADA MAIOR, ISOLAMENTO E SEM SINDICATO, GRÁFICO PODE VOLTAR AO TRABALHO COMO EM 7 DE FEVEREIRO DE 1923

Nesta quinta-feira (7) é considerado o Dia Nacional do Gráfico no Brasil. É feriado para a classe em vários estados do país. A data remonta ao ano de 1923, quando a categoria realizou em São Paulo uma greve de quase dois meses em resposta ao não reconhecimento dos patrões ao sindicato da classe (UGT), contra a jornada diária de trabalho superior a 8 horas e diante da não garantia de direitos iguais aos trabalhadores nas empresas. A categoria venceu. O problema é que agora, na véspera do 7 de fevereiro de 2019, 97 anos depois, o Brasil quer criar uma lei (PEC 300) para voltar a ter jornada diária de 10 horas. Não é à toa que a Log&Print já mudou de forma radical a jornada no local, pressionando por mais horas de trabalho e trocando a folga dos gráficos sem votação secreta do trabalhador e etc. Além do risco da PEC, o governo já criou a lei da reforma trabalhista para isolar o sindicato do trabalhador de várias maneiras, que pode extingui-lo. Sem Ministério do Trabalho e sem sindicato, quem defenderá os gráficos?

Sem a unidade da classe, nenhum gráfico conseguirá resistir na empresa, mas terá de voltar a viver as difíceis condições laborais superadas antes. “Estamos quase voltando ao 7 de fevereiro de 1923. Antes, sindicato de trabalhadores não valia no país, mas somente o dos empresários. Todas as políticas hoje, com a ajuda da mídia para manipular os trabalhadores, amplificando a ilusão do individualismo, são contra os sindicatos laborais. Com isso, a lei retira o papel constitucional dos sindicatos e o afastamento do trabalhador aos sindicatos só ampliam, em prejuízo da própria classe”, desabafa Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos Paulistas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região (Sindigráficos).

Antes (em 7 de fevereiro de 1923), a jornada diária de trabalho era maior que as oito horas; hoje, políticos ligados ao governo atual querem avançar numa proposta (PEC 300) para mudar a Constituição para elevar para 10 horas a jornada. “Gráficos, não caiam na lógica falsa da meritocracia: um filho do trabalhador jamais disputa igual por igual com um filho de patrão, não só no capital, mas nas questões de moradia, alimentação, educação escolar e etc. A meritocracia, na verdade, estimula o individualismo sobre a classe trabalhadora. Isolado, o pobre trabalhador fica ainda mais frágil.

Portanto, nesta quinta, os 97 anos do 7 de Fevereiro coloca desafios para os gráficos da região e de todo o Brasil. O Sindigráficos defende a unidade dos trabalhadores para encontrar a superação novamente. O primeiro passo é que cada trabalhador volte a pensar coletivamente. Pensar como categoria. Apenas juntos, a classe pode ser forte. Nada de individualismo. Organize-se em torno do sindicato. SINDICALIZE-SE AQUI E AGORA! A organização dos trabalhadores se dá em torno do sindicato para buscar lutar contra a volta do aumento de jornada e em prol dos direitos coletivos.