COM REFORMA EM VIGOR, PATRONAL ATACA MAIS DIREITOS E ATROPELA A PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DOS GRÁFICOS

A data-base dos gráficos paulistas e os 87 direitos coletivos da classe, a exemplo da PLR, cesta básica e outros, continuam incertos. O patronal manteve o duro ataque na 3º rodada de negociação, realizada na última terça-feira (14). Apesar do crescimento da revolta da categoria diante do risco de descontinuidade dos direitos, onde já há notificações de greve em regiões distintas, como em Jundiaí, Guarulhos e Taubaté, os patrões desafiam seus funcionários. Ao invés de tratarem das reivindicações dos trabalhadores, atacaram agora o conjunto de direitos que acreditam que a classe deve perder em sintonia com a reforma trabalhista de Temer.

“Em síntese, para manter data-base e direitos como a PLR, o patronal entende que os empregados devem perder o pagamento em dinheiro da hora-extra e ainda a homologação da rescisão contratual de trabalho no sindicato da classe (Sindigráficos) e nos demais sindicatos no estado”, denuncia Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Ainda exige a mudança na data de pagamento salarial do dia 5 para o 5º dia útil, bem como acabar com o direito da classe de 15 dias a mais de aviso prévio em várias situações. Em síntese, o patronal manteve a sua pauta para a retirada de direito, sendo rechaçada outra vez pelos sindicatos obreiros.

Uma nova rodada será realizada na próxima sexta-feira (24). “Estamos em Estado de Greve e conversaremos com o nosso comando de greve, definido no último domingo, bem como falaremos com outros gráficos na base, para decidir nosso próximo passo, independente da rodada”, fala Rodrigues. O sindicalista não esconde a revolta diante da intransigente  postura patronal que põe em risco até a continuidade da produção em gráficas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e nas demais regiões do estado, sobretudo nas que acertadamente notificaram de greve frente o ataque.

“Nunca houve banco de horas nas gráficas de nossa região depois que  assumirmos o Sindigráficos ainda no começo da década de 2000. Todos os nossos gráficos recebem em dinheiro pela hora-extra na ordem de 65% (dias de semana) e 100% (domingos e feriados)”, frisou Rodrigues. Ele conta que seria muito ruim a paralisação das empresas que rodam de domingo a domingo, mas destacou que pior é o gráfico trabalhar de domingo a domingo em troca de banco de hora, sem receber pela extra. “No momento, várias gráficas rodam todos dias. É preciso bom senso do patronal e atuar na negociação para o trabalho não ser paralisado”, frisa.

Porém, pela recente proposta patronal, rejeitada firmemente por alguns dos sindicatos obreiros do estado, o banco de hora deve ser oficializado ou os gráficos devem perder a PLR e a data-base de 1 º de novembro. Este é o resumo do novo golpe do patronal na 3º rodada de negociação, ou seja, para manter alguns direitos, a categoria precisa perder outros. O patronal exigiu o fim de quatro dos 87 direitos coletivos da classe, a começar pelo fim da cláusula que cria limitações para o banco de horas. Ainda quer acabar com a que obriga a homologação no sindicato – local e ocasião que se descobre sonegações contra o funcionário demitido.

O patronal exige também o fim do direito ao aviso prévio especial e a mudança da data do pagamento salarial e do adiantamento quinzenal. Este último ataque patronal, se, por exemplo, fosse aprovado, o gráfico deixaria de receber o vale quinzenal hoje para receber só na terça-feira, já que o próximo dia 20 é feriado. Ninguém teria dinheiro neste feriadão. Este é apenas um dos prejuízos dentro outros ainda superiores. “O fato é que até agora, enquanto a produção das gráficas ainda não parou, a pauta de reivindicação dos trabalhadores continua sem ser discutida e o patronal, fortalecidos por uma reforma trabalhista, só ataca direitos”, diz.