COM SALÁRIOS E EMPREGOS EM RISCO, SETOR GRÁFICO SE MOBILIZA PELO FIM DA CRISE PROLONGADA PELO DESGOVERNO

Apesar da euforia das pessoas nas ruas com a volta das atividades comerciais, a pandemia não diminuiu e os seus impactos à saúde e na economia devem se prolongar por conta disso. Na última semana, por sinal, a OMS alertou para a chegada da nova e mais perigosa fase do vírus, ao registrar 150 mil infectados pela primeira vez em um único dia. Não é por acaso que os casos crescem em Jundiaí e toda região. A falta de liderança e gestão nacional do Governo do Brasil no combate à covid-19 tem mantido a curva epidemiológica para cima, diferente do restante do mundo, mesmo não sendo uma gripezinha, pois já matou mais de 50 mil e infectou mais de um milhão no país. Na econômica, o governo ainda é burocrático e adota políticas neoliberais onde só aumentam os desafios postos pela crise sanitária, econômica e política. Diferente do Brasil, o governo da Argentina proibiu demissões e deu condições às empresas para sobreviverem. Já Bolsonaro ainda não sancionou nem a lei paliativa de arroxo sobre o trabalhador onde o Congresso Nacional permitiu a ampliação do tempo dos acordos para a frágil garantia do emprego em troca da redução da renda do gráfico por suspensão contratual e menor jornada de trabalho. O governo brasileiro tem sido burocrático e cobrado altas taxas de juros para liberar crédito para o pagamento das folhas salariais das empresas, cenário que já começa a gerar sérios problemas no pagamento dos salários e até na manutenção dos postos de trabalho.

“O fato ameaça gravemente os salários e os direitos dos trabalhadores para as próximas semanas e a manutenção de empresas e empregos”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região. Assim, a fim de pressionar o governo por uma mudança desta situação, o Sindigráficos, em parceria com o STIG-PE e demais sindicatos dos gráficos pelo Brasil, liderados pela Confederação Nacional da classe (Conatig), está articulando uma manifestação nacional em defesa do setor gráfico, este responsável por 0,3% dos R$ 7,3 trilhões de toda a riqueza produzida no Brasil em 2019. Para isto vem dialogado também com as empresas, as que sofrem na pele com a burocracia e os juros altos cobrados pelo governo. Também tem procurado as entidades patronais em busca de ampliar a mobilização e cobrança por medidas do governo para a proteção efetiva das empresas e dos empregos neste segundo semestre diante da continuidade do virus e suas consequências.

Apesar de interesses antagônicos, trabalhadores e empresários podem ter pautas em comum. Uma delas é a defesa do setor gráfico como um todo (empresas e empregos). O Sindigráficos já até conseguiu avançar nesta parceria no passado recente. Junto com o Sindigraf-SP, o sindicato contou com o apoio do deputado federal Vicentinho (PT-SP) e aprovaram o Projeto de Lei (PL do Livro), na Câmara Federal. O PL visa fortalecer o segmento gráfico editorial com a obrigatoriedade da produção de livros para programas nas escolas públicas apenas por indústrias no país. Isso promove as empresas brasileiras e o emprego dos trabalhadores gráficos.

Apesar desse esforço, todo setor gráfico, a exemplo do segmento editorial tem sofrido muito com a crise persistente da pandemia e toda burocracia e altas taxas de juros colocados pelo governo do Brasil. A gráfica Jandaia, em Caieiras, já não suportou e precisou demitir 90 gráficos diante da baixa no mercado de cadernos. A tradicional Cunha Facchini, em Itupeva, já fechou e demitiu todo mundo. A gigante Log&Print, em Vinhedo, anunciou que pode fechar uma ou mais linhas de produção inteiras e demitir todos. Já há reclamações de atraso salarial. “Grandes, médias e sobretudo as pequenas gráficas estão sucumbindo pelo excesso de burocracia, falta da liberação efetiva de crédito e altas taxas de juros cobradas”, diz Leandro.

A classe trabalhadora tem sido ainda mais penalizada com a redução da renda através de políticas de suspensão contratual de trabalho, redução de jornada, banco de horas, prejuízo nas férias, no FGTS, e muito mais, além das demissões. O Sindigráficos crítica inclusive a forma com que o governo autorizou está queda na renda dos empregados, gerando grande dificuldade para o pagamento das contas mensais desde abril. Esses acordos também não contam com a constitucional garantia da negociação dos mesmos através do sindicato da categoria, este que poderia evitar os prejuízos. Portanto, o setor gráfico precisa reagir a tantas mazelas já em curso e outras piores que estão por vir se nada for feito imediatamente.

 

O SETOR GRÁFICO BRASILEIRO NÃO SUPORTA MAIS!!!

BASTA!!!