CONFEDERAÇÃO GRÁFICA APÓIA HADDAD PARA EVITAR A MAIOR DESTRUIÇÃO DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES

Gráfico não pode ser o ‘pato amarelo’ dos patrões que apoiam Bolsonaro // A Confederação Nacional dos Trabalhadores Gráficos (Conatig), entidade de representação máxima da categoria, manifesta-se publicamente, por meio do seu presidente Leonardo Del Roy, sobre as eleições presidenciais e toma partido pela primeira na sua história em favor de um dos candidatos frente ao risco real do agravamento de perdas contra a classe trabalhadora no Brasil. Como a entidade fez ainda antes da consolidação do golpe na presidente Dilma Rousseff, alertando de que não se tratava do combate à corrupção, mas uma forma de abertura para o avanço antidemocrático de um projeto empresarial e ultra neoliberal da “Ponte para o Futuro” voltada à retirada de direitos trabalhistas e sociais, faz agora esta declaração de apoio a Haddad para evitar o agravamento.

A Conatig justifica seu apoio e reitera que a entidade não tem preferência partidária e os seus sindicados afiliados têm autonomia e posição eclética. Todavia, tais questões não podem ser empecilho para que as atribuições constitucionais das entidades sindicais sejam marginalizadas, ou seja, é preciso defender o interesse individual e coletivo dos seus trabalhadores. Desse modo, Haddad, diferente de Bolsonaro e seu candidato à vice, tem demonstrado publicamente a defesa dos direitos sociais e trabalhistas, a começar pelo compromisso da revogação da lei da reforma trabalhista. A Conatig havia inclusive, antes do 1º turno das eleições, aprovado a sua orientação nacional para que os órgãos sindicais filiados defendessem o voto apenas em quem tem tal compromisso e rechaçar aqueles que não.

Portanto, como a candidatura de Bolsonaro demonstra o desprezo pelas minorias econômicas, como a classe trabalhadora, étnicas, gênero e de orientação sexual, bem como incita a violência e despreza a importância do debate público sobre os seus projetos, os quais não estão detalhados sequer em seu plano de governo, mas privilegia apenas as redes sociais sem dar chance ao contraditório, jamais poderia ter o apoio da Conatig. Além disso, ainda mais grave, quando inquirido pela mídia, tem dado qual a pauta para os trabalhadores: carteira verde e amarela com direitos ainda menores que os retirados pela lei da reforma trabalhista; e a justificativa de que mulher deve receber menos que o homem porque ela engravida. Sem falar no ataque ao 13º salário e adicional de férias feita por seu vice.

Tudo ficou claro pouco tempo depois que Temer fez a reforma trabalhista, entregou o Pré-Sal, congelou gastos públicos por 20 anos e etc. E, agora, a situação da democracia e dos direitos podem ter final pior, se a classe trabalhadora, antes iludida pelo “pato amarelo”, apostar neste Bolsonaro, o qual é responsável pela aprovação da reforma trabalhista e todas pautas de Temer, e que tem demonstrado o alinhamento aos setores patronais, cujos foram os responsáveis pelo maior ataque aos direitos trabalhistas.

Logo, a Conatig continuará defendendo os trabalhadores e oficializa que, nesta eleição, estará do lado de quem defende a classe trabalhadora, ora representada por Haddad, e repudia quem estiver ao contrário. A entidade alerta ainda ao movimento sindical dos gráficos brasileiros, bem como às demais categorias, antes do pleito eleitoral do dia 28 de outubro, que a eleição de Bolsonaro pode representar até o fim da unicidade sindical, já que o mesmo faz duras críticas ao movimento sindical e foi defensor do fim do imposto sindical através da famigerada lei da reforma trabalhista.

A Conatig entende que a “Ponte para o Futuro” foi um primeiro grande passo da destruição do primado democrático da justiça e das políticas de bem-estar social e do trabalho enquanto uma questão social no País, mas a eleição de Bolsonaro representará o caos total, inclusive do processo civilizatório. Sequer foi eleito e a violência praticada por seus seguidores já aterroriza o Brasil. Até a nova legislatura do Congresso Nacional pode ter intercorrências frente ao que pode vir com a ascensão desse fascismo, ou a abertura para outras variadas formas de governos antidemocráticos.

Portanto, dentro de todo o contexto, a Conatig não pode ser manter neutra diante de todo o processo de caos verificado e que pode se agravar diante desse estímulo à cultura de ódio, violência e mentiras (fake News) decorrentes de técnicas publicitárias e táticas fascistas visando ludibriar os trabalhadores, mais radical que a do ‘pato amarelo’ quando legitimou o golpe do impeachment na presidente eleita democrática pela maioria do país, a fim de enganar a população para que eleja agora seu novo algoz.

Assim, como não pode ser diferente para toda entidade sindical e social que valoriza as minorias econômicas, a Conatig defende a candidatura de Fernando Haddad, 13, não devido ao PT, mas para evitar este extermínio da classe trabalhadora. Além de que, guardadas todas as falhas do PT, o movimento sindical e os pobres desse país, até mesmo os estimulados a odiar o PT diante dessa máquina de ódio publicitário contra corrupção só a este partido, quando marginaliza os outros partidos envolvidos, ninguém jamais pode negar que nunca houve maior avanço à classe trabalhadora, senão através do PT, ora representado nos governos do presidente Lula.

Não obstante, nenhum dirigente sindical do setor gráfico brasileiro ou de qualquer outra categoria profissional pode alegar desconhecimento em relação a tal realidade, tampouco do grave risco sobre todos os direitos conquistados através das Convenções Coletivas de Trabalho por longos anos em caso de vitória do presidenciável Bolsonaro (PSL). Não resta dúvidas do grande prejuízo a tais direitos em um curto espaço de tempo, já que Bolsonaro, diferente de Haddad, como avalia a Conatig, prefere as então políticas ultra neoliberais de priorizar os poderes econômicos e os próprios empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores. Portanto, Haddad é a única forma da preservação dos direitos. Desse modo,  a Conatig está com Haddad.

FONTE: CONATIG