CONTRADIÇÃO: MINISTRO DO TRABALHO QUER MUDAR LEI TRABALHISTA E TAMBÉM DIZ SER CONTRA MUDANÇA NA CLT

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Embora diga ser contrário à terceirização e à instituição da prevalência do negociado sobre o legislado, defendida pelo partido do presidente interino Michel Temer, e a reforma da CLT para acabar direito trabalhista, o novo ministro do Trabalho e Emprego, Ronaldo Nogueira, defendeu nesta quarta-feira ( 1º), na Comissão de Direitos Humanos do Senado, a necessidade de mudanças nas leis trabalhistas. O curioso da declaração do ministro é a defesa de coisas apostas. Ele diz defender as leis e quer mudá-las ao mesmo tempo. Na prática, os trabalhadores correm sério risco, se não lutarem em defesa dos seus direitos. Por trás das contradições do discurso do ministro, é bom lembrar que o projeto da terceirização, por exemplo, contou com pleno apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), do partido do presidente  Temer, para ser aprovado na Câmara no ano passado. Falta agora ser aprovado no Senado. E o presidente da Casa, Renan Calheiros, também do partido do Temer, já sinalizou que pode colocá-lo em votação nas próximas semanas. A maioria dos senadores é formada por empresários ou ligado a eles. Já o projeto do negociado sobre o legislado, que vai permitir ao patrão negociar direitos trabalhistas abaixo do mínimo definido pela CLT, foi largamente defendido pelo partido do Temer através do projeto Ponte para o Futuro. 

temer2Em reunião nesta quarta-feira, 1º/6, na Comissão de Direitos Humanos do Senado o ministro do Trabalho e Emprego, Ronaldo Nogueira, disse ao presidente da comissão que é contra o projeto da terceirização, a instituição da prevalência do negociado sobre o legislado e a reforma da CLT para acabar direito trabalhista.

“Vim conversar com o senador Paulo Paim, que é do Sul como eu, para dizer que governo do presidente Michel Temer tem compromisso com o aprimoramento de direitos e não a revogação deles. Alguns temas necessitam de adequação, mas as mudanças devem ser realizadas por meio de consenso entre os trabalhadores, empregadores e o governo”.

“O ministro aceitou o convite e veio conversar sobre temas de interesse dos trabalhadores. Quis saber dele a posição do Ministério do Trabalho acerca do projeto da terceirização, da proposta de estipular o negociado sobre o legislado e a reforma trabalhista. Ele me disse que em relação à terceirização comunga do mesmo pensamento que o meu (contrário ao PLC 30/2015), que é contra a sobreposição do negociado ao legislado, que significa rasgar a CLT, e que não haverá reforma da CLT para retirar direitos”, disse Paim com exclusividade para o jornalista e assessor do DIAP, Alysson de Sá Alves.

FONTE: Com informações do DIAP