CORONAVÍRUS MATA 1º COMPANHEIRO GRÁFICO. SINDICATO O HOMENAGEIA E EMPRESA GARANTE DIREITOS EXTRAS PARA SUA ESPOSA E TRÊS FILHOS

No último domingo (12), após dias internado gravemente em um hospital por complicações de saúde e descoberto que se tratava de coronavírus, faleceu com apenas 53 anos de idade, o experiente gráfico da Gonçalves em Cajamar/SP, Edilson Ribeiro, do setor de Pré-impressão há 37 anos. O profissional, que era sindicalizado e estava liberado do trabalho antes mesmo de contrair a doença devido uma fratura no pé, deixa a esposa e três filhos, que não puderam sequer vê-lo, velá-lo ou sepultá-lo diante das medidas sanitárias impostas pelo hospital e pelo cemitério diante do risco de contágio. A família só pode se despedir do ente amado por meio de uma foto enviada. O Sindicato da classe (Sindgráficos) está consternado pela dolorosa partida de Edilson, e o rende homenagem póstuma pelo dedicado gráfico e sindicalizado que foi em vida. E, em nome de seu irmão, Alan Ribeiro, com quem conversou após a morte, o órgão se coloca à disposição da família no que for preciso.  

“Perdemos para este infeliz e perigosíssimo vírus o nosso companheiro, sindicalizado, consciente de seus direitos e trabalhador gráfico há quase quatro décadas, que começou na profissão ainda garoto, como muitos de nós, como eu que iniciei aos 14 anos de vida. Estamos muitos tristes com esta trágica morte e sem a sua família e amigos sequer puderem fazer a justa despedida. Registramos aqui a nossa tristeza e condolências pela partida precoce de Edilson, ele que sempre valorizou seu sindicato desde que a Gonçalves se instalou em Cajamar em 2016. Ele sempre foi um dos primeiros a nos receber e prestar atenção em nossas conversas na porta da empresa”, lamenta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Em diálogo com a Gonçalves, empresa que a diretoria emitiu nota na qual chama Edilson de “nosso querido colega de trabalho”, contou ao sindicato que tem tomado várias medidas sanitárias (uso de máscara, álcool em gel e limpezas) na gráfica para buscar evitar o contágio do coronavírus entre os gráficos. Mudou até os turnos para redução do número de empregados no mesmo horário e local. Os dois turnos antes existentes se tornaram quatro, onde cada um dos 450 gráficos trabalha 12h por 36h. A gerente de RH da empresa, Kátia Carreri realçou ainda, em nome da diretoria, todo o amor e a dedicação de Edilson com a gráfica ao longo de 37 anos.

Em atenção à esposa e aos filhos de Edilson, Leandro também conversou com a empresa que, de forma espontânea e solidária aos familiares do trabalhador, adiantou como ficarão os direitos do gráfico, mesmo falecido. “A Gonçalves, através do seu RH, nos garantiu que, mesmo a família não tendo o direito a receber recursos pertinentes a uma demissão, porque, segundo nos relatou, a lei, nestes casos de morte do trabalhador, funciona como um pedido de demissão, pagará a multa de 40% do FGTS, o que corresponderá a um valor considerável, já que ele trabalhou por 37 anos na empresa. Também pagará os períodos de aviso-prévio, o que significa mais recurso para a família neste momento de grande dor”, fala Leandro, parabenizando a empresa pela atitude humana, em consideração as décadas de contribuição de Edilson a Gonçalves e, principalmente pelo respeito para com sua família.