CRESCE DENÚNCIA SOBRE VALE-ALIMENTAÇÃO DEFASADO APÓS PESQUISA DO SINDIGRÁFICOS. AGORA É NA DISCOPEL

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Os trabalhadores da Gráfica Discopel, em Valinhos/SP, que funciona no prédio da antiga Gráfica e Editora Valinhense, não sabiam que estavam recebendo só quase metade do valor do vale-alimentação. O montante é predefinido pela convenção coletiva de trabalho da categoria. Porém, os empregados não sabiam, assim como centenas de outros gráficos. O valor adequado está atrelado ao preço dos produtos da cesta básica. O patrão, se preferir, pode dar a cesta básica ou o vale-alimentação, mas existem regras sobre a qualidade e quantidade dos itens da cesta e ao valor do vale, o qual deve ser equivalente à soma do preço de cada item da cesta cobrado no supermercado da cidade ou região onde a empresa está instalada. Por este motivo, o sindicato da categoria (Sindigráficos) passou a fazer e divulgar periodicamente uma pesquisa sobre o valor da cesta básica por regiões, como Bragança Paulista, Jundiaí, Cajamar, Vinhedo e também Valinhos – cidade esta onde fica a gráfica Discopel. Foi quando seus trabalhadores descobriram e denunciaram o problema ao Sindicato, que, esta semana, acionou a empresa para tratar do caso.

disco3O valor médio da cesta básica em Valinhos é de R$ 111 neste mês de junho, conforme pesquisa feita em quatro supermercados da cidade. A pesquisa foi realizada nos supermercado Caetano (R$ 115,40), Dia (R$ 101,58), Extra (RS 112,88) e Pão de Açúcar (R$ 112,57).  “Portanto, o mínimo a ser pago no vale-alimentação deve o valor médio de R$ 111”, alerta o diretor do Sindicato, Valdir Ramos, responsável pela pesquisa.

disco2Na Discopel, no entanto, o valor é de R$ 60 após o desconto salarial. O montante equivale a quase 50% do valor correto. “Hoje, muitos gráficos devem conviver, sem saber, com o problema da defasagem do vale-alimentação. Ao descobrirem, eles denunciarem ao Sindigraficos que entra no caso e, junto com todos, luta para ter o reajuste”, diz Leandro Rodrigues, presidente do sindicato.

disco4A Discopel, por sua vez, ainda não retornou a solicitação de reunião do sindicato para tratar da questão. A entidade aguardará mais alguns dias antes de tomar outras providências em caso do silêncio permanecer. A cesta básica está prevista na convenção com itens que não podem ser subtraídos. Negá-la é descumprir esta lei em favor dos empregados do setor. Logo, o sindicato poderá recorrer ao Ministério do Trabalho e Emprego e ainda à Justiça do Trabalho, se for preciso.

No passado, a empresa inclusive teve problemas na data do pagamento salarial. Ela pagava no 5º dia útil quando a convenção define o dia 5 de cada mês. A empresa reconheceu a falha e a corrigiu, após justificá-la. “O Sindigráficos espera que a Discopel procede da mesma forma agora”, diz o advogado da entidade de classe, Luis Carlos Laurindo.