DESAFIOS DE HOJE PARA OS GRÁFICOS COM AS RÁPIDAS E RADICAIS MUDANÇAS DENTRO DO SETOR E NO MUNDO

Desafios-de-hoje-ao-grafico-com-as-mudancas-do-setor-e-do-mundo

Apesar de todo o legado histórico de lutas com resultados positivos para o conjunto dos gráficos e demais trabalhadores brasileiros, os gráficos de hoje têm observado muitas transformações nestes cerca de 200 anos desde que os primeiros gráficos começaram a atuar no país, sobretudo nestes últimos 35 anos, com o avanço dos valores neoliberais, os quais apostam mais no viés econômico em detrimento ao social, humano e ao ambiental. Além desse deformado valor, priorizando muito mais o ter ao invés do ser, fundamento este que direciona os patrões fazerem de tudo para lucrar ainda mais, mesmo que prejudique mais ainda o trabalhador, estas últimas décadas também são marcadas pela evolução tecnológica velocíssima, com radicais alterações no setor gráfico e no mundo em geral, trazendo a era digital e seus desafios para o tradicional impresso.

jj1A evolução do setor gráfico atrelado as transformações culturais mundial e os impactos sociais deste mundo moderno e digital impõem novos e significativos desafios para a manutenção da classe, como conhecemos, e, principalmente, referente à sua unidade, organização e combatividade em defesa da categoria e da manutenção e ampliação de nosso direitos – características estas históricas e essenciais dos trabalhadores gráficos.

Muitas coisas mudaram nestes cerca de 200 anos de luta. As máquinas evoluíram e ficaram mais sofisticadas. Os patrões também construíram novos métodos de produção. E estas mudanças impactaram fortemente na categoria, provocando grandes mudanças estruturais. Além disso, os setores tradicionais, como os de impressão de jornais e de livros, estão sofrendo bastante com a Era digital. Hoje, diferente do que acontecia no passado, este setor emprega infelizmente muito menos do que antes.

Este e outros reflexos negativos associados às novas práticas culturais dessa Era digital, a qual já se encontra bem adaptada no modo de vida das pessoas, que, ao invés de optarem por publicações impressas, seja jornais e revistas, têm preferido baixar arquivos em seus computadores, celulares, tabletes e afins. Este, por exemplo, é um fator bem desafiante aos gráficos, bem como para a manutenção e reorganização da classe.

pronto printDo ponto de vista político, houve também um recuo na organização dos trabalhadores, e a classe patronal investe muito em políticas de recursos humanos. Nelas, passam a falsa ideia de que o trabalhador, ou operário, como era chamado antes, apesar de continuar sendo na prática, têm sido manipulado de modo a se sentir e agir diferente. Os trabalhadores agora são chamados de “colaboradores”, sendo que na realidade não se trata de uma relação mútua de colaboração entre patrão e empregados, mas sim somente de exploração (do empresário sobre o trabalhador).

Apesar do cenário de exploração ser óbvio, cria-se, consequentemente, com a tal adoção das políticas de recursos humanos, um ambiente de pseudo valorização do operário, aliás, do “colaborador”, ao menos para com aqueles que aceitam sofrer calados na esperança da verdadeira valorização em algum momento da vida, o que não ocorrerá. O fato é que essas políticas implementadas têm provocado séria alienação nos trabalhadores, destruindo o espírito coletivo em favor da individualidade.

A manipulação é tamanha que, ao invés dos trabalhadores se unirem e se mobilizarem em busca dos direitos, já existem gráficos que, muitas vezes, disputam entre si, com o objetivo de ficar bem com o patrão, na esperança de assim conquistar a “tal sonhada valorização profissional”.

TER1As mudanças dentro do setor e do mundo nas últimas décadas são sem dúvida grandes desafios para a classe gráfica, assim como para demais trabalhadores. Porém, tudo ficará ainda mais difícil se o gráfico de hoje esquecer o seu legado histórico de unidade, organização e mobilização em defesa da valorização e busca da manutenção e avanço dos direitos.

Apenas com muita coletividade e combatividade, através da organização de trabalhadores, é que os gráficos e seu legado de enfrentamentos ao empresariado em defesa da categoria, poderão resistir a este diabólico capitalismo selvagem e desenfreado do mundo digital. Estão colocados alguns dos atuais desafios para nós gráficos. Só assim sobreviveremos dentro desse mundo cada vez mais individualizado e com o predomínio aos valores do econômico sobre o social, humano e ambiental. Mesmo que o gráfico não observe, são justamente tais valores do neoliberalismo (individualismo e ultravalorização ao econômico) que acaba colaborando para que muitos tenham tão pouco, e poucos tenham muito, muitíssimo.