DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA OS TRABALHADORES GRÁFICOS COLOCADOS PELO 7 DE FEVEREIRO

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Hoje é 7 de Fevereiro – Dia do Trabalhador Gráfico do Brasil. Parabéns a todas e todos que formam esta especializada categoria tecnicamente, bem como histórica, aguerrida e politizada, que, há 93 anos imprimiu a maior derrota no setor patronal com a vitoriosa greve de 42 dias em São Paulo, liderada pelo então trabalhador gráfico João da Costa Pimenta, em defesa da devida valorização profissional, até então negada.  Os trabalhadores gozam até hoje das conquistas desse movimento grevista, a exemplo do direito de ter sindicato e a convenção coletiva de trabalho do setor, com salário e benefícios específicos negociados anualmente. Estas conquistas são resultados desta greve, iniciada em 7 de fevereiro de 1923. Eis o motivo de hoje se comemorar o Dia do Gráfico. Porém, além de celebrar esta data, o 7 de Fevereiro serve também para buscar fazer os gráficos de hoje refletir sobre os atuais desafios postos contra a saúde, a segurança e a qualidade de vida da classe e seus familiares.

CUNHA3A tradicional unidade, organização e combatividade da categoria, perfil histórico dos gráficos, desde antes do 7 de Fevereiro de 1923, mas já no tempo do Brasil Império, quando protagonizaram a 1ª greve operária no país, em 1858, está sendo ameaçada toda hora pela classe empresarial. Com isso, os gráficos de hoje vem amargando prejuízos, a começar por ruins locais e condições de trabalho, ampliação de trabalho, diminuição de benefícios e ainda por ver o achatamento de seus salários. Somente a coletividade e reorganização da classe pode ser capaz de fortalecer a todos, a fim de lutar pela manutenção e avanços em direitos e salários.

PREV4Se a coisa já está ruim, com a crise política/institucional brasileira e com a crise econômica dentro e fora do país, que têm reduzido os empregos e consolidado uma altíssima inflação, a situação tende a ficar ainda pior para os gráficos se não resgatarem o seu perfil aguerrido em busca da sua valorização profissional. O cenário é desafiador e carece de muita unidade e de organização, sobretudo frente ao ajuste fiscal adotado pelo governo, e agravado pelas leis contra os trabalhadores, sendo propostas a todo momento por um Congresso Nacional, formado majoritariamente por deputados e senadores ligados aos setores patronais do Brasil.

rumograf7No passado, os gráficos lutaram para implementar o conjunto de direitos para sua classe, agora, a luta hoje deve ser adotada para a manutenção deles. Até terceirizar o serviço gráfico está para ser aprovado no Congresso, bem como outros atentados contra o trabalhador. É preciso uma reação coletiva e urgente dos gráficos. Lutas não faltarão com toda esta conjuntura retrógrada posta contra o conjunto dos trabalhadores.

O desemprego é real, mas, infelizmente, o empresariado ainda aproveita a situação de instabilidade mais política/institucional do que econômica para impor o terror psicológico sobre os gráficos, aplicando uma receita perversa com demissões, em muitos casos, para acumular serviço sobre os que continuam empregados. Além disso, aproveitam-se do momento para deixar de cumprir com suas obrigações legais, como o pagamento do salário e outros direitos na data determinada. Deixam de recolher o FGTS e INSS dos funcionários, mesmo estes sendo descontados deles.

emepe3O empresário faz isso porque avalia o trabalhador meramente como um custo adicional na sua folha, tentando a todo custo reduzir o “prejuízo’. No entanto, os gráficos não devem aceitar isso passivamente, pois são os trabalhadores os reais e únicos responsáveis pelo funcionamento e pela rentabilidade da empresa. Sem eles, nada é produzido. Portanto, a verdade é que o trabalhador é o principal patrimônio da empresa, mas, contraditoriamente, como se ver, isto não assim validado pelos patrões.

Os trabalhadores precisam se reorganizar como em outrora, a exemplo do 7 de Fevereiro de 1923, para dar um basta nesta injustiça social, sob pena de ver progressivamente ocorrer uma maior desvalorização e uma extinção gradual da categoria. O prognóstico já pode até ser observado no Brasil. E um dos pontos dessa triste constatação deriva da falta de valorização dos profissionais gráficos por parte dos empresários do setor, estimulando com que os trabalhadores migrem para outras áreas, com melhor condições de trabalho, direitos e, às vezes, até de salários.

DIARIO1O setor gráfico de Jundiaí, por exemplo, localizado numa região muito valorizada no estado, por ter reserva hídrica abundante e ótima logística, condições que atraem empresas de vários ramos, tem capturado muitos gráficos para outras categorias, já que oferecem melhores benefícios ao trabalhador, diferente da desvalorização insistente do patrões gráficos, seja por negar avanços em direitos e salários, ou por tentar sonegá-los.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Gráfica de Jundiaí e Região (Sindigráficos) luta incessantemente em defesa do emprego, do salário e dos direitos da classe. Mas adverte à categoria que todos precisam se fazer presente nestes enfrentamentos em prol da valorização de todos.  Esta é uma luta coletiva. A categoria precisa se reorganizar e lutar. O Sindigráficos, por exemplo, concebeu, junto com o deputado Vicentinho, um projeto de lei, que já está bem avançado no Congresso Nacional, voltado à manutenção e fomento do emprego do setor gráfico no Brasil.

Desafios-e-oportunidades-aos-grsficos-postos-pelo-7-de-FevereiroEspecial 7 de Fevereiro

O Sindigráficos preparou uma série de matérias especiais sobre o 7 de Fevereiro – Dia do Gráfico. Até o dia 15, o gráfico terá a oportunidade de conhecer um pouco mais da história da categoria, além do perfil desses trabalhadores no decorrer dos cerca de 200 anos de atividade no país, bem como a relação de todo esse legado para os gráficos atualmente.