DIA NACIONAL DO GRÁFICO: 91 ANOS DE MUITA HISTÓRIA E LUTA

Passeata dos Trabalhadores_1917

O dia 7 de fevereiro é marcado como o DIA NACIONAL DO GRÁFICO em razão da heroica vitória da greve dos gráficos, realizada em 1923, em São Paulo. A categoria aplicou a maior derrota na classe patronal na história do Brasil.

Mas os gráficos não são lembrados apenas por essa greve, ao contrário, a nossa classe trabalhadora é responsável pelas principais paralisações do país.

Brasil_ImpérioA primeira greve de expressão foi promovida por gráficos ainda no Brasil Império. Em 1858, eles pararam os jornais da capital nacional por melhores salários e denunciaram as condições de trabalho análogos à escravidão.

Os gráficos também estiveram a frente da greve operária de 1917 e 1929, consideradas marcos na história sindical. A greve de 1917 foi o primeiro conflito expressivo e organizado pelos trabalhadores contra o Estado em busca de direitos. Já a greve de 1929 durou 72 dias e é até hoje a mais longa da história.

A greve da categoria iniciada em 7 de fevereiro de 1923 refletiu em uma mudança da desigual história do trabalhador, que até então só tinha o direito de trabalhar. Não podia reclamar, nem mesmo com uma carga-horária de aproximadamente 100 horas semanais.

Greve dos Trabalhadores_Industrialização

Esse basta iniciado há 91 anos, garantiu que fossemos a primeira categoria profissional a conquistar direitos de se representar enquanto entidade sindical e ter uma convenção coletiva do trabalho, antes mesmo da consolidação das leis trabalhistas no Brasil.

Os gráficos desbancaram a injustiça social brasileira, através deste movimento grevista, promovido pela União dos Trabalhadores Gráficos (UGT) e liderados por João da Costa Pimenta.

EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

Atualmente a evolução tecnológica encobre uma faceta perversa do mercantilismo liberal: o lucro acima de tudo, inclusive sobre aqueles que são a principal parte da empresa, os gráficos.

Nossa categoria convive com a política da precarização do ambiente de trabalho, com processos de terceirização e com a prática da redução salarial, através da rotatividade da mão de obra, gerando significativa desvalorização profissional.

Realmente a tecnologia avançou bastante de Gutenberg até a era da informática, no entanto os benesses não estão sendo compartilhados entre patrão e trabalhador.

Diante desse cenário, o gráfico precisa reagir. A unidade e mobilização dos trabalhadores na era computacional deve garantir o legado de luta dos companheiros dos tempos do tipógrafo.

Ampliar e não reduzir nossos direitos é a maior lição deixada para os gráficos ao completar 91 anos da histórica batalha iniciada em 7 de fevereiro.

A LUTA NÃO PODE PARAR

Não podemos apenas viver do passado combativo, esquivando dos desafios contemporâneos. É necessário continuar na luta por dias melhores.

Vamos lutar contra o atual rebaixamento salarial da categoria que atinge todo o país. Vamos marcar posições contrárias às tentativas de descaracterização do trabalho gráfico por meio de fraudes de terceirizações de cooperativas de trabalho e do malfadado banco de horas, além de lutar contra as práticas de reduções de salários por meio da rotatividade da mão de obra, contrato de trabalho temporário.

Também se faz necessário à luta pelo enquadramento sindical de funcionários na condição de gráficos, em função do avanço tecnológico, que possibilitou o advento das gráficas rápidas e de empresas de outros gêneros que também realizam serviços gráficos.

Ainda é necessário promover ações de defesa da segurança do ambiente profissional da categoria, entre outros.

Viva a classe trabalhadora gráfica!!!

Viva o dia 7 de fevereiro, Dia Nacional dos Trabalhadores Gráficos!!!

Parabéns a todos os Trabalhadores Gráficos!!!