DIÁRIO/SP ABANDONA OS GRÁFICOS SEM SALÁRIOS E DIREITOS BÁSICOS APÓS INCORPORAÇÕES E DISPUTAS

Da prometida evolução ao caos, abandono e descontrole em relação à responsabilidade patronal com os seus trabalhadores e a empresa. Este é o resumo do que tem vivido os gráficos do Jornal Diário de São Paulo, em Jarinu, após ser incorporado pela Editora Fontana e depois passar por disputas dos controladores do grupo econômico do jornal, deixando os trabalhadores sem saberem quem é o responsável pela empresa. Hoje só restam 40 dos 100 funcionários do local até pouco tempo atrás. O último salário pago foi em abril. Há três meses não recebem o vale-alimentação e faz tempo que não recebem nem o vale-transporte e etc. Não dão nem o aviso prévio para quem é demitido e nem pagam verbas rescisórias. Também não recebem ou respondem ao Sindicato da classe (Sindigráficos). Diante deste completo abandono, os gráficos estão em greve há duas semanas. Nem assim a empresa se moveu. Resumiu-se a limitar o acesso e deixar tudo parado sem assumir a responsabilidade, numa clara demonstração de abandono à empresa e aos funcionários.

Neste contexto absurdo, o Sindigráficos recorrerá hoje a Justiça através de um procedimento chamado Dissídio Coletivo de Greve na esperança de forçar os controladores do jornal a negociarem para restabelecerem principalmente a garantia de todos os direitos dos trabalhadores, mas também a normalização da produção do Jornal Diário de SP. “Este tipo de dissídio é usado quando uma das partes (patrão ou empregado) não quer negociar, a exemplo do que acontece com os patrões da empresa”, explica Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindicato. O procedimento, que será protocolado na Sessão Especializada de Dissídio Coletivo do 15º Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, costuma ser analisado com rapidez, cerca de 48 horas, por conta de seu caráter excepcional.

“Esperamos que a Justiça seja feita contra esse abandono da empresa com prejuízo total contra os gráficos. Sem salários ou perspectivas, eles e suas famílias passam dificuldade”, diz Jurandir Franco, diretor sindical, que há muito tempo tem cobrado, sem êxito, adequações da empresa, inclusive nestes dias de greve debelada pelos funcionários pois estavam pagando até a passagem do transporte para poder chegar ao trabalho.

Além de não pagar o salário de maio, vale-transporte e a alimentação, a lista de irregularidade da empresa é bem maior. O PLR de abril não foi pago. O reajuste da diferença salarial em março também não. O FGTS não recolhe desde meados de 2014. O Sindicato espera que seja feita a  Justiça para frear tal abandono dos trabalhadores do jornal desde a sua incorporação pela Fontana e as posteriores disputas pelo seu controle.