DIÁRIO DE SP PASSA A REALIZAR SERVIÇOS DE GRÁFICA E O TRABALHADOR CORRE RISCO DE PERDER DINHEIRO

DIARIO DE SÃO PAULO (2) (640x480) EM FRENTE A GERENCIA REGIONAL DO TRABALHO PEDINDO MESA COM O DIARÍO DE SP

Embora seja um jornal, a empresa Diário de São Paulo, na cidade de Jarinú/SP, passou a realizar serviços também do setor das gráficas convencionais. Isso acontece porque o jornal assumiu os trabalhadores da antiga GMA Editora, que funcionava dentro do mesmo complexo industrial. Porém, desde então, os funcionários correm um sério risco de perder dinheiro, segundo analisa a entidade de classe da categoria (Sindgráficos), uma vez que os pisos salariais e os valores de certos benefícios são diferentes entre os setores de jornal e de gráfica, a exemplo da hora extra e do adicional noturno. Os menores valores estão no setor de jornal. Assim, o sindicato quer falar com o Diário para evitar que a empresa passe a pagar tais direitos com base na área de jornal aos empregados que realizam serviços de gráfica. A intervenção visa também evitar que a empresa demitam os funcionário da antiga GMA, os quais recebem piso salarial de gráfica, que é maior em comparação ao do jornal, para substituí-los por novos empregados contratados como sendo de jornal. O sindicato antecipa que isso é proibido, pois tanto os antigos gráficos como os novos, se forem laborar no setor de gráfica, devem ser enquadrados com base na área que forem trabalhar, e assim receberem os respectivos pisos salariais e benefícios trabalhistas. 

DIARIO DE SÃO PAULO (1) (640x480)O problema não é pequeno e merece maior atenção da empresa, mas sobretudo dos seus 80 funcionários. O prejuízo pode ser alto. Por mês, o gráfico do segmento de jornal, com menos de 12 meses de registro, recebe salário no valor de R$ 1.006, enquanto o piso do empregado de gráfica convencional é de R$ 1.280,40. Logo, se o atual empregado novato do setor de gráfica convencional passar a receber o piso da área de jornal, ele perderá mensalmente R$ 274.

Já o gráfico com mais de um ano no jornal, que faz função de gráfica convencional no Diário, também pode perder dinheiro, pois o seu piso é de R$ 1.157,  ou seja, é R$ 123 a menos em comparação ao valor pago no setor de gráfica.

Os prejuízos não acabam por aí. O percentual da Hora Extra e do Adicional Noturno são menores para o setor de jornal. Nas gráficas convencionais são de 65% e 35% respectivamente, enquanto no jornal são de 60% e 25%. ”Até o último mês, os antigos gráficos da GMA receberam com base no setor das gráficas, mas o medo deles é grande se isso vai mudar para baixo”, diz Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos.

DIARIO DE SÃO PAULO (2) (640x480)“É preciso definir o adequado enquadramento sindical dos trabalhadores do Diário de SP, já que a empresa realiza serviço de jornal e de gráfica, mas para cada um desses segmentos existe uma Convenção Coletiva de Trabalho diferente, com a definição distinta de valores de salários e de benefícios”, ressalta Franco, sindicalista que acompanha o caso.

Na verdade, o Sindigráficos já começou a tratar deste tema, mas o Diário não quer iniciar, ou pelo menos não está dando a devida atenção, porque não respondeu a solicitação do sindicato para abordar o assunto desde 30 de junho, quando protocolou ofício requerendo a reunião.

EM FRENTE A GERENCIA REGIONAL DO TRABALHO PEDINDO MESA COM O DIARÍO DE SPDesse modo, na última segunda-feira (13), a entidade de classe solicitou uma mediação do caso no Ministério do Trabalho e Emprego. A data da reunião ainda não foi divulgada pelo órgão público. Franco garante que defenderá o que for melhor para os trabalhadores.

E o melhor, como ele avalia, é o enquadramento sindical de todos os funcionários para o setor de gráfica convencional, já que o piso salarial é superior em comparação ao setor dos jornais, bem como o adicional noturno e a hora extra.