DORIA DECIDE ABANDONAR PREFEITURA PARA SER GOVERNADOR, MAS ANTES APOSTA EM MEDIDA PARA DESTRUIR A APOSENTADORIA DOS TRABALHADORES

No último domingo, nas prévias do seu partido, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) anunciava que seria candidato a governador e deixará a prefeitura em abril. Apesar do abandono ao posto que foi eleito pela maioria dos eleitores em 2014, inclusive pelo voto da maioria dos trabalhadores, Doria não desiste de continuar atacando o direito à aposentadoria dos servidores da cidade. Ao contrário, ele tem pressa. Embora a Prefeitura diga que vem discutindo a proposta desde “abril do ano passado”, os servidores afirmam que não houve discussão. “Dizer que o Governo negociou conosco é mentira”, diz Margarida Genofre, vice-presidente do Sindicato dos Professores e Funcionários de São Paulo (Aprofem). Os servidores municipais estão em greve há mais de uma semana para protestar contra o projeto de reforma da Previdência apresentado pelo Governo tucano. 

Na quarta-feira, enquanto a Câmara dos Vereadores aprovava o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), 14 de março, servidores protestavam do lado de fora do prédio situado no Viaduto Jacareí.A Polícia Militar e Guarda Civil (GCM) usaram bombas e terminou com ao menos seis servidores feridos, com cenas como a de uma professora sangrando no rosto diante de tanta violência.
Medida impopular
“Quem vota [a favor do projeto], não volta [na próxima eleição]”, gritavam os servidores, no Salão Nobre da Câmara, em plenário composto quase 70% por vereadores reeleitos, na última quinta-feira. A audiência pública foi marcada por tensão, depois do ocorrido no dia anterior, mas não houve repressão policial desta vez. Os secretários de Doria e alguns vereadores tiveram grande dificuldade em falar, como Fernando Holiday (DEM), que no dia anterior havia chamado os servidores de “vagabundos” em um post no Facebook.
FONTE: Com informações do EL PAÍS