ECONOMISTAS ALERTAM SOBRE TESE PATRONAL DA CRISE PARA EXCLUIR DIREITO E REDUZIR SALÁRIO DOS GRÁFICOS

eco1 eco2

Economistas experientes, ligados ao Dieese e à área acadêmica, participaram da 2ª mesa de negociação salarial dos gráficos nesta terça. Não houve avanço. O impasse fez com que os economistas avaliassem a questão e concluíram que os empresários tentam, de fato, fazer vários ajustes econômicos do setor diante da crise sobre a classe trabalhadora. Na ocasião ouviram as teses dos empresários e dos trabalhadores para justificar o índice do reajuste salarial da categoria. Os patrões reafirmam que, devido a crise, é impossível recompor salários atrelados à inflação, que já beira os 10 por cento. Por outro lado, os sindicalistas obreiros entendem o efeito da crise sobre o patrão, mas não aceitam que a parte mais frágil economicamente, que também é, ao mesmo tempo, a mais importante na etapa produtiva da gráfica, que são os empregados, sejam estes os únicos penalizados da crise. Ainda pior é que, com a mesma tese sobre a crise, os empresários querem retirar direitos históricos da categoria. Os trabalhadores acusam a patronato de utilizar a crise para reduzir o salário e ainda arrancar os direitos da classe. O impasse fez com que os economistas avaliassem a questão e concluíram que os patrões tentam, de fato, fazer diversos ajustes diante da crise sobre os trabalhadores.

eco2“O ajuste econômico do setor gráfico diante da crise financeira já vem sendo feita desde o fim do ano passado e tem sido direcionado sobre os empregados”, diz Miguel Huertas, economista e assessor da Federação Estadual dos Trabalhadores Gráficos nas atuais negociações salariais. Já foram realizadas 4,5 mil demissões até o momento. Huertas afirma que esse já é um ajuste importante dentro do segmento, uma vez que a empresa passa a produzir com menos funcionários, o que reduz a folha de pagamento duplamente, pois o serviço recairá sobre os que ficam no emprego. Desse modo, reduzir salário de quem continua na ativa e que passou a trabalhar, acumulativamente, no lugar também dos demitidos, é injusto e significa dizer que é sim um novo ajuste sobre o trabalhador.

O primeiro ajuste dos empresários tem sido feito sobre os trabalhadores demitidos e, simultaneamente, sobre os que ficam no emprego, porque terão que realizar o serviço dele e dos gráficos desligados. No mínimo, estes trabalhadores merecem receber a recomposição da inflação nos seus salários, uma vez que já estão sendo penalizados diante da crise. A inflação já beira os 10 por cento e já corroeu o poder de compra do gráfico nos últimos 12 meses. A cesta básica já aumentou mais que a inflação e as tarifas públicas algo em torno de 16 por cento. Porém, mesmo assim, os patrões querem dar 7 por cento de aumento e de forma parcelada (4 por cento em novembro e 3 por cento em maio de 2016). Huertas diz que a proposta patronal de conceder um salarial abaixo da inflação funciona como um segundo ajuste econômico do setor sobre seu trabalhador. Isso é mesmo que cobrar duas vezes do trabalhador que continua na ativa dado sua contribuição nesta crise.

“A crise deixou o setor patronal bastante pessimista e ele tem buscado, no geral, negar a recomposição da inflação nos salários do trabalhador”, confirma a economista Cláudia de Oliveira. Ele ratifica ainda que o cenário no setor gráfico já tem sido de ajuste econômico desde o final do ano passado, com o crescimento nas demissões. Reforça também que a maioria dos postos de trabalho em aberto não têm sido preenchidos. E as admissões caíram muito. Ainda assim, as contratações apresentam salários menores para o trabalhador que entram neste cenário. Isso já é um ajuste econômico dos empresários sobre os trabalhadores diante da crise. E agora o patronal tenta ajustar ainda mais a sua situação em detrimento do trabalhador, negando o aumento salarial dos empregados com base na inflação e tentando excluir direitos históricos, como a PLR. Dentro do contexto, e frente ao momento da crise, Oliveira reconhece que os empresários estão tentando passar tudo para os trabalhadores.