EDITORA ABRIL COMEÇA A PAGAR GRÁFICOS APÓS OITO MESES DE PRESSÃO DOS DEMITIDOS E SINDICATOS, COMO O DE JUNDIAÍ

Gráfico é gráfico em qualquer cidade. E merece ser protegido pelos seus sindicatos. Ainda mais quando a sua empresa tenta sonegar seus direitos. Assim, de forma solidária, mesmo sendo na capital de SP, o Sindicato dos Gráficos (Sindigráficos) de Jundiaí seguiu por quilômetros em defesa de 306 gráficos demitidos pela Abril há oito meses sem nada receberem. Por várias vezes, há meses, a entidade se juntou aos trabalhadores e ao sindicato dos jornalistas, à Federação Paulista dos gráficos (Ftigesp) e ao STIG-SP em manifestações na frente da editora. Na última vez, foi até na Polícia Federal (PF), que, junto até com os gráficos da multinacional RR Donnelley, estes de Barueri e Osasco também demitidos sem receberem, o Sindigráficos engrossou os protestos, levando até o seu carro de som.

“O resultado da unidade e mobilização da categoria acaba de surtir efeito. O novo dono da Abril aceitou fazer um acordo com os sindicatos de cada categoria envolvida para pagar o que deve a cada trabalhador. A editora devia desde 8 de agosto de 2018, quando demitiu os 306 gráficos. Agora, pelo acordo, pagará 70% das verbas rescisórias e do FGTS em três dias após a assinatura pela ex-funcionário. O restante será pago até fevereiro do próximo ano. A empresa está em recuperação judicial, o que, pela lei, suspendia sua obrigação de pagar, mas pela união e pressão da classe a imoralidade acabou”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

O Sindigráficos estava junto dos demitidos da Abril e de seus sindicatos desde o início das mobilizações. O carro de som da entidade foi utilizado algumas vezes nos protestos. Leandro acompanhou pessoalmente estes atos. O dirigente não esconde sua alegria com o desfecho positivo agora. Mas lamenta os oito longos meses de sofrendo com que a Abril submeteu os demitidos sem o pagamento de seus direitos. Aproveita para estender a solidariedade aos demitidos da Donnelley e ao STIG-Barueri/Osasco, que ainda lutam para que a multinacional pague os mais de 800 gráficos. A entidade inclusive participou da luta desses gráficos na Embaixada dos EUA em SP, cobrando de Trump que a empresa, que é dos EUA, pague.

A manobra da recuperação judicial da Abril não suportou a unidade e a mobilização dos gráficos e seus sindicatos em defesa do direito da classe trabalhadora. Os gráficos da RR Donnelley precisam manter esta união até derrubar outro tipo de manobra da empresa que decretou autofalência e fechou todas as unidades no Brasil e saiu do país sem pagar a ninguém.

“Existem duas vitórias concreta dos demitidos da Abril. Uma é a garantia do pagamento. E a outra é a união deles, independente do nível salarial ou do setor que cada gráfico trabalhava na empresa, resultando na vitória de todos”, destaca Leandro. Que isso sirva de exemplo não só na Abril. Mas que seja percebido e exercido por todos gráficos, como em Jundiaí e região. O individualismo é um engano. Só na coletividade que o gráfico pode enfrentar os desmandos do patrão. “Continuaremos na luta”, realça.