EM ASSEMBLEIA, GRÁFICOS APROVAM ESFORÇO DO SINDICATO ONDE EVITOU FIM DA PLR E SALÁRIO CONGELADO ATÉ AGOSTO

Ao invés do que ocorreu com centenas de campanhas salariais de várias categorias profissionais durante a crise da pandemia onde ficou zerado o reajuste dos trabalhadores por um ano, o Sindigráficos conseguiu evitar o mesmo fim durante a 5ª rodada com o patronal, na última semana. Os gráficos não ficarão com salário congelado até agosto do próximo ano. O esforço sindical foi reconhecido durante a assembleia da classe, na última semana em Jundiaí. A categoria aprovou o reajuste da renda em janeiro para todos os 5 mil trabalhadores de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região, equivalente à inflação anual referente à data-base da categoria neste ano.

O sindicato conseguiu preservar e evitar prejuízo de outra pauta financeira da classe. Mesmo com a queda da produção por conta do coronavírus, o patronal terá de pagar uma Participação nos Lucros e Resultados (PLR) baseada nos seis meses que ficaram fora da pandemia, mantendo, com isso, a cláusula da PLR na convenção para a próxima campanha salarial. Portanto, ao invés dos gráficos não receberem nada de PLR em 2021, terão o direito a uma parcela na folha salarial do mês de fevereiro. Além disso, o Sindigráficos conseguiu manter a cesta-base de alimentos, o auxílio-creche, os percentuais maiores de adicional noturno e hora-extra em relação à CLT, bem como os demais direitos econômicos e sociais da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, até agosto de 2021.

O Sindigráficos, por sua vez, queria mais. “Porém, mediante a conjuntura difícil, onde até a categoria está mais cautelosa nesta campanha diante da crise econômica sobre as empresas devido à pandemia, o resultado foi favorável aos trabalhadores, já que todos terão todos os direitos sociais e econômicos preservados, inclusive a PLR, e mais o reajuste salarial em janeiro/21, ou antes”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

De todo modo, até agora, o resultado da campanha salarial evitou que os donos das gráficas mantivessem o salário congelado até agosto de 2021. Além disso, o Sindigráficos também conseguiu evitar a retirada de direitos colocados pelos patronais através de pautas bombas na campanha deste ano. Leandro lembra que havia inclusive pauta patronal para que o piso salarial reduzisse para R$ 1, 2 mil, diminuísse o percentual do adicional noturno de 35% para 20%, e da hora-extra de 65% para 50%. Exigiram, sem êxito, até a mudança da data de pagamento salarial para 5º dia útil.

O Sindigráficos evitou o mesmo fim de negociações salariais de centenas de categorias profissionais onde fechou a campanha com reajuste zerado por 12 meses. Até agosto último, como aponta o estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 8,4% de 4 mil negociações tiveram este fim, índice bem maior que igual período em 2019, quando só 0,4% concluíram a campanha com zero de aumento.