EM DURA NEGOCIAÇÃO, CONVENÇÃO DE DIREITOS DO GRÁFICO É MANTIDA E SALÁRIO TERÁ AUMENTO, MAS EMBATE SINDICAL SEGUE COM PATRONAL DIANTE DA INDEFINIÇÃO DO VALOR DO REAJUSTE E PELA PLR

Uma terceira e última rodada de negociação entre patrões e trabalhadores gráficos paulistas será realizada na próxima quinta-feira (27). O encontro adicional não estava previsto. Mas é preciso porque, embora, finalmente, o patronal garantiu os direitos trabalhistas superiores à CLT por mais um ano e sinalizou que aceita conceder algum reajuste salarial, mesmo com a pandemia, o valor do aumento continua incerto, bem como está a PLR, razão pela qual o Sindigráficos, Ftigesp e mais sindicatos travaram ontem duro embate com a comissão de negociação que representou os patrões, estes que não compareceram. Independente da vontade dos patrões ou da pandemia, o Sindigráficos antecipa que seguirá somente a decisão final da classe trabalhadora. Portanto, convida todos para uma assembleia decisiva na próxima segunda-feira (31), na sede regional da entidade em Jundiaí, a ser realizada em três horários (às 9h, 14h e 19h) devido ao coronavírus.  

As negociações entre o capital versus o trabalho (patrão x trabalhador) são duras, mas têm ficado mais nos últimos cinco anos. Em sintonia aos golpes nos direitos trabalhistas desde Temer, seguem cartilha impositiva, exigindo o fim ou o congelamento de direitos. E, agora, com a pandemia, amplificaram este perfil. Sequer queriam garantir o reajuste salarial anual ou renovar a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. A CCT reúne direitos superiores à CLT, como piso salarial maior que o nacional, cesta básica mensal, hora-extra e adicional noturno com valores maiores e etc.).

“Apenas ontem, faltando poucos dias para perder a validade, pois a data-base do gráfico é em 1º de setembro, que aceitaram validar uma parte de nossa reivindicação”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Porém, apesar de aceitarem o reajuste salarial, o impasse continua sobre o valor, bem como a garantia e reajuste do histórico direito da convenção, que é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Por sinal, o patronal vem congelando o seu valor desde 2015. Já provoca defasagem superior a 30% se comparado ao aumento salarial ocorrido nos últimos cinco anos.

Na próxima rodada, que será a última, com ou sem acordo, o Sindigráficos continuará na defesa de um ponderado reajuste salarial que, no mínimo, recomponha as perdas inflacionários em 12 meses. Com relação à PLR, a entidade defende não só a sua continuidade, mas seu reajuste baseado na inflação anual. O patronal, por sua vez, diz que a crise da pandemia o impede de pagar. E fazem uso desse argumento mesmo sendo alertado de que este direito social para o gráfico está atrelado ao número de faltas do trabalhador no ano, e não ao grau do lucro financeiro das empresas.

“Será preciso equilíbrio das partes na última rodada de negociação, antes dos trabalhadores darem sua palavra final sobre os rumos da campanha salarial, mas apelo aos donos de empresas, não a comissão de pessoas que os representam na mesa, que, antes de tomarem a decisão, não  deixar de levar em conta todo o esforço que foi e está sendo feito por seu empregado através do contínuo trabalho sob risco de contrair a covid-19, mesmo com queda na renda devido a acordos de redução de jornada por meses, aos bancos de horas, ao trabalho em feriado e etc.”, aponta Leandro.