EM REUNIÃO COM SINDICATO, EMEPÊ PRORROGA ACORDO DE JORNADA POR TRÊS MESES E REPASSA BOAS METAS DO PPR

Mal começou junho e mais de meio milhão de pessoas contraíram a covid-19, levando a morte de mais de 30 mil pessoas no País, como a do gráfico da empresa Gonçalves em Cajamar, Edilson Ribeiro. Felizmente, apesar do avanço de contaminações no estado de SP, não houve mais óbitos de gráficos na região. Em vinhedo, na Emepê, por exemplo, não há nem caso suspeito. Isso se deve a intensificação de suas medidas preventivas. Mas, infelizmente, 28 gráficos do local já foram demitidos. Eles se somam a 1,1 milhão de novos desempregados no Brasil desde que iniciou a pandemia. Em reunião com o sindicato, a empresa justificou as demissões devido à queda produtiva, mas garantiu que já equilibrou a questão, mantendo 185 funcionários e alegou que não fará mais dispensas e nem os sobrecarregará com trabalho excessivo. Em contrapartida, a gráfica também falou que a princípio, não pretende fazer reduções de jornadas e salários e nem suspensões de contrato de trabalho. Estas medidas estão previstas na MP 936 do governo Bolsonaro. Elas protegem a empresa, mas afetam a renda dos gráficos através de acordos individuais sem nenhuma negociação com o sindicato.

“A Emepê nos informou que não pretende aderir agora a este tipo de medidas, a quais entendemos serem perversas, porque reduzem a renda do trabalhador e faz isso em plena pandemia”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos da região.  Mas infelizmente, a gráfica disse que foi preciso aplicar uma outra medida do governo, contida na MP 927, propondo a todos os trabalhadores a assinatura de acordo individual de banco de horas. Porém, garantiu que ainda não está pondo em prática. E que esta medida só será usada no sentido de manter um equilíbrio em suas finanças neste período em que as empresas estão afetas pelos desdobramentos da pandemia.

Com relação as mudanças na cesta básica, a empresa informou que fez a troca de vale-alimentação por cesta-básica em alimento, mas alega que isso não resultou em nenhum prejuízo aos gráficos. Informou que garantiu o mesmo valor do vale, sendo que gasto com alimentos e manteve o desconto só de R$ 4,50. O Sindigráficos, por sua vez, fará no pós-crise a consulta com a classe sobre se querem mesmo esta mudança, ou restabelecerem o vale”, adianta Leandro.

Nesta perspectiva de defesa dos trabalhadores, o Sindigráficos inclusive aproveitou a reunião com a Emepê, na última semana, para tratar sobre o andamento das metas do programa para compensação financeira extra dos gráficos neste ano (PPR 2020). A Emepê disse ter boas expectativas diante do desempenho atual de algumas metas. O plano iniciou em março e segue até agosto, com pagamento previsto para até outubro. O valor da PPR, segundo foi definido por acordo negociado pelo sindicato, é o maior dentre todas as gráficas da região. O sindicato continuará acompanhando.

A Emepê atendeu ainda outro importante pleito do sindicato ao confirmar a prorrogação de outro acordo com a entidade em favor dos empregados. Por muitos anos, a empresa mantém o acordo coletivo de jornada laboral menor sem redução salarial (41 horas semanal). Mas, apesar de renova-lo sempre por dois anos, prorrogou agora só por três meses, acabando a validade já no dia 10 de setembro. Assim, será preciso voltar a negociá-lo em breve. Logo, será preciso mais unidade dos gráficos no Sindicato. Será preciso que mais trabalhadores se conscientizem e se sindicalizem.