EM VISITA AO PAÍS, MEMBRO DO MAIOR SINDICATO GRÁFICO ARGENTINO CRITICA TERCEIRIZAÇÃO E REFORMA DO TEMER

Na próxima semana, o Brasil deve enfrentar a primeira greve geral da  classe trabalhadora, organizada por todas as centrais sindicais, contra a forma com que o governo federal vêm atacando os direitos trabalhistas, a exemplo da nova lei para terceirizar os gráficos e demais categorias profissionais sem os direitos de suas convenções coletivas de trabalho. Se ainda há trabalhadores que não percebem esses ataques do Temer, o caso já chamou a atenção até fora do país. Os gráficos argentinos já estão preocupados com os efeitos deste retrocesso na lei brasileira e que isso recaia sobre seu país. Um dirigente da maior entidade gráfica argentina (Federação Gráfica Bonaerense – FGB), que representa 25 mil dos 40 mil trabalhadores da classe no país, veio ao Brasil para falar com o Sindicato dos Gráficos de Jundiaí e Região (Sindigráficos) sobre esta questão e se colocar à disposição dos sindicalistas na luta necessária.Alberto Rodrigues, representante da FGB, reuniu-se com o presidente e o secretário-geral do Sindigráficos (Leandro Rodrigues e Valdir Ramos) e mostrou-se bastante preocupado com a intenção de golpe nos direitos trabalhistas desde quando Dilma foi afastada da Presidência do Brasil. Fez inclusive uma análise de conjuntura e previu graves retrocessos contra a classe trabalhadora se não resistirem aos ataques propostos pela terceirização total e pelas reformas da Previdência e trabalhista. Ele classificou essas medidas com grande perfil político neoliberal,  ou seja, são ações que retiram direitos dos mais pobres em favor dos mais ricos. E é isto que a lei da terceirização e as reformas do Temer representam, pois favorecerão aos empresários enquanto retiram direitos trabalhistas.

O dirigente da maior entidade gráfica argentina fez questão de conhecer o trabalho do Sindigráficos, pois, segundo o mesmo, existem similaridades com a luta da FGB desenvolvida no seu país. Alberto parabenizou pelo trabalho realizado junto à base da categoria em defesa de seus direitos e pela referida campanha de sindicalização permanente para organizar a luta. Congratulou ainda pelo orgânico projeto de comunicação sindical, contribuindo na informação, formação e organização da classe. Lembrou que assim como no Brasil, os gráficos foram os primeiros a fazer greve na história da Argentina, no ano de 1870, contra tamanhas injustiças.

Os laços de solidariedade da luta da classe trabalhadora, e em especial dos gráficos, foram reafirmados durante o encontro entre os dirigentes. Na ocasião, Alberto que participara de um evento de economia solidária na capital paulista, demonstrando experiências de gráficas que foram geridas em forma de cooperativas pelos trabalhadores na Argentina, fez questão de destacar a necessidade de ações/eventos conjuntos entre a categoria dos dois países em prol dos direitos dos trabalhadores. Os dirigentes do Sindigráficos agradeceram a atenção do dirigente da FGB e se colocaram a disposição também da luta dos gráficos argentinos e fizeram questão de frisar a relevância da greve geral no próximo dia 28, para evitar o avanço do atraso de mais de um século sobre os direitos.