EMEPÊ IMPÕE TROCA DE JORNADA COM 11H DIÁRIA DE SERVIÇO HÁ POUCOS DIAS DE VENCER O ACORDO COLETIVO DE JORNADA

Nesta segunda-feira (20) completa uma semana que a Emepê mudou o horário dos gráficos sem nenhuma negociação com o sindicato e sem a votação secreta dos trabalhadores. A empresa impôs isso sem responder a prévia solicitação sindical para debater a questão e mesmo estando em vigor um acordo coletivo de trabalho que regula o expediente no local há mais de 12 anos, estando válido até o dia 10 de setembro. Ter a compreensão do momento em que passa o Brasil é uma coisa, outra é a empresa se esquivar e promover a falta de diálogo com a entidade sindical dos empregados para a promoção de retrocesso sobre direitos conquistados. A nova postura unilateral da gráfica já ocorreu este ano quando ela implantou banco de horas se aproveitando de uma medida governamental. E ainda quando modificou a cesta básica e até diminuiu cardápio das refeições dos empregados. Isto se repete agora, com a mudança da jornada de trabalho. Até o momento, a empresa não respondeu a notificação sindical para tratar do assunto nem a renovação do acordo coletivo de trabalho relativo à jornada.

“Já que continuamos sem nenhuma resposta da gráfica, estaremos muito em breve na porta da Emepê e debateremos direto com os trabalhadores sobre o que iremos fazer a respeito. Adiantamos também que não vamos tolerar nenhum aproveitamento da crise para a imposição de retrocessos. Nossa pauta é objetiva: negocie a renovação do acordo e apresente quais as condições para que os gráficos possam aceitar e ter segurança nessa troca de horário e turno de trabalho de 11h diário”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região.

Ao invés de negociar com o sindicato, a empresa completa uma semana hoje que impôs a troca do horário dos turnos com carga diária extensiva e ainda sem o pagamento das horas-extras.  Está operando das 6h às 17h e das 19h às 6h, contrariando o alerta anterior feito pelo trabalhador do local e diretor sindical, Márcio, de que era preciso debater com o sindicato e ter votação secreta dos empregados sobre a proposta. A Emepê não só atropelou o alerta, como ainda não respondeu o ofício sindical solicitando a abertura da negociação para a renovação do acordo coletivo de jornada.

A demonstrada postura unilateral da gráfica, trocando a jornada, mesmo prometendo ser algo temporário e com benefícios futuros para os gráficos, sem ter nada oficializado ou democraticamente negociado e decidido, põe em dúvida a verdadeira intenção da empresa. A desconfiança se amplia porque está perto de findar a validade do acordo de jornada em vigor há 12 anos. A empresa tem evitado abrir a negociação com o sindicato para renová-lo, apesar da tentativa atual e outra em junho, mês em que venceu o acordo e a Emepê unilateralmente estendeu até 10 de setembro. Desde que este acordo foi criado, é renovado por dois anos e não só três meses.

Portanto, para que a situação não indique que a empresa demonstre uma postura unilateral para destruir também tal acordo, onde garante folga em sábado alternado, feriado do Dia do Gráfico, pagamento de hora-extra de 80% se trabalhar nestes dias, o Sindicato exige uma negociação imediata.

Contudo, a decisão soberana é dos trabalhadores. “Nós, do Sindigráficos, estaremos na porta da empresa em breve, alertaremos sobre a situação e sobre os riscos de cada trabalhador perder mais direitos enquanto ficam inclusive distantes do sindicato. Estamos aqui para ajudar, mas também exigimos a contrapartida de vocês, associando-se conosco”, diz Leandro.