EMPODERADA, GRÁFICAS LOTAM SINDICATO E PROCLAMAM-SE INIMIGAS DA REFORMA PREVIDENCIÁRIA E DEFENSORES

Nada de Fora Temer apenas, mas, neste último domingo (5), depois de descobrirem sobre a possibilidade do fim da aposentadoria e da pensão para milhares de mulheres diante dos efeitos práticos com a reforma da Previdência, se os políticos a aprovarem, cerca de 40 trabalhadoras gráficas da região de Jundiaí, presentes em um evento no sindicato da categoria, empoderaram-se da questão e se colocaram contra a reforma e aos políticos favoráveis. Esclarecidas, elas ainda autoproclamaram-se responsáveis por repassar a situação para as suas colegas nas empresas em que atuam e também aos familiares. Além disso, exigiram do sindicato a lista dos deputados federais paulistas com respectivos e-mails (relação disponível AQUI) para exigir dos políticos o voto contrário à reforma ou amargarão depois o voto contrário das próprias trabalhadores gráficas na eleição em 2018. Nasce, portanto, um pequeno ‘exército’ de mulheres empoderando-se contra essa e outras reformas do Temer, que, segundo abordou a palestrante do evento neste domingo, Fé Juncal, presidenta da Associação dos Aposentados da região, excluirá injustamente e inconstitucionalmente importantes direitos das mulheres.    

Entre os principais ataques da reforma da Previdência às mulheres, Fé listou de forma objetiva e fácil entendimento aqueles mais graves. A possibilidade de não mais conseguir se aposentar, mesmo que com valor melhor, será um desses prejuízos. Quem não conseguir contribuir 25 anos ao INSS não se aposenta mais, mesmo com 65 anos, mais velhos ou doentes. Temer ainda quer elevar mais 19 anos de contribuição para liberar a aposentadoria  integral. Ele elevou de 30 para 49 anos de contribuição. Já a pensão que a mulher recebe do marido também pode ser extinta pela proposta reforma. E, no caso daquelas que puderem receber a pensão, Temer diminuirá o seu valor quase pela metade. As mulheres presentes no local ficaram muito revoltadas. O jurista Luis Carlos Laurindo inclusive mostrou o viés inconstitucional desta reforma.

A palestrante ainda alertou para o mito de que há déficit na Previdência (rombo das contas), como diz o governo para tentar justificar esta reforma que ataca as mulheres e homens trabalhadores. “Pudemos descobrir que o governo tem usado o dinheiro do INSS pago pelas trabalhadoras(es) para outras finalidades além do pagamento da aposentadoria, benefícios previdenciários e assistência social dos brasileiros. O governo gasta até com dívidas com bancos e mais questões. Assim vai faltar dinheiro sim, mas não é a culpa das mulheres”, frisa Valéria Simionatto, coordenadora do Comitê Feminino do Sindigráficos Jundiaí, responsável pelo evento, batizado de café da manhã das gráficas contra a reforma e Fora Temer – grito que ecoou no sindicato ao final desta atividade feita para pautar as manifestações desta semana que marca o Dia Internacional da Mulher.

Não apenas para homenageá-las pelo Dia Internacional da Mulher, mas o sindicato é para defender os seus direitos contra os ataques políticos e patronais. Foi o que ocorreu. Muitas trabalhadoras inclusive perceberam que sindicato é lugar de seriedade e das mulheres. “Foi impressionante o número de trabalhadoras presente e a atenção de todas e sobretudo a reação delas durante nosso evento político no sindicato na manhã deste último domingo”, diz Carla Atoatte, gerente administrativa da entidade há 14 anos. Muitas compareceram no local pela primeira vez e puderam observar como o trabalho sindical é sério e que dedica-se para a classe trabalhadora, inclusive com foco para as questões da mulher gráfica.

Embora reconheça que as jornadas duplas/triplas da mulher limitam a maior participação no sindicato, Atoatte reafirma que o órgão é um lugar também de mulher, pois, sem participar, os direitos não podem avançar. A gestora, que aproveita para convidar as trabalhadoras para conhecer e participar mais do Sindigráficos, lembra que os melhores momentos de sua vida coincide com a sua atuação sistemática dentro do sindicato. Já a ex-trabalhadora gráfica e ex-dirigente do Sindigráficos, Eliana da Silva, hoje servidora pública, que participou da palestra de domingo, recordou também dos bons momentos da sua vida enquanto atuava na entidade – localidade esta que ela classifica afetivamente como a sua eterna casa.

“Empoderadas após nossa palestra, alguns das trabalhadoras presentes já decidiram se aproximar mais do sindicato. Até uma antiga funcionária da Jandaia, presente no local, decidiu se filiar”, fala Regina Silva, integrante do Comitê das mulheres e diretora do Sindicato. As mulheres gráficas sindicalizadas inclusive terão um evento festivo e político no fim do mês. Será realizado o tradicional Bingo do Mês Internacional da Mulher, com prêmios e palestras na Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região no domingo (26). “Na ocasião, serão recolocadas os ataques da reforma previdenciária e outros com a reforma trabalhista”, antecipa Cidinha Reis, dirigente do Sindigráficos e também do Comitê de Mulheres. Será um momento comum para atualizar como estão os trabalhos contra os políticos favoráveis a tais reformas. Enviem e-mails para o deputados contra a aprovação dessas reformas e divulguem com suas colegas de trabalho e familiares tais ataques.