EMPREGO DO GRÁFICO COM SALÁRIO E DIREITOS MENORES A PARTIR DE NOVEMBRO DEVIDO OS POLÍTICOS DA REGIÃO

Daqui a pouco tempo, já em novembro, entra em vigor a lei da reforma trabalhista sancionada por Temer depois de aprovada pela maioria dos deputados federais e senadores aliados do atual governo. A lei mudou 117 direitos da CLT. Permitirá as gráficas de Cajamar, Jundiaí,Vinhedo e região, por exemplo, rebaixarem remunerações, direitos e condições de trabalho do funcionário que está na empresa e do novo empregado. É uma questão de tempo diante das novas modalidades de contratos de serviço inseridas na lei, como gráficos terceirizados, temporários, tempo de serviço (intermitente) e autônomo (PJ). Autoriza ainda o patrão elevar a jornada de trabalho e não pagar financeiramente pelas horas-extras. E tudo pode ocorrer devido a decisão de políticos. Muitos deles eleitos com o voto dos gráficos da região, como os deputados Miguel Haddad e   Bruna Furlan, ambos do PSDB. São do mesmo partido dos prefeitos de Jundiaí, Luis Fernando Machado, e da cidade de Vinhedo, Jaime Cruz.

A lista de prejuízos é bem maior quando a reforma trabalhista passar a valer em 13 de novembro. Além dos males apontados, limita os gráficos da proteção do Sindicato da classe (Sindigráficos) contra a sonegação dos direitos e salários. A homologação da rescisão do contrato laboral dos empregados com mais de um ano poderá ser feito na empresa, sem a participação dos sindicalistas. Não terá mais quem exija o pagamento de tudo adequadamente. Haverá ainda limitação do acesso à Justiça do Trabalho. Muitos empregados não conseguirão mais acioná-la em prol de seus direitos sonegados pelo patrão. Há casos de ter até de pagar os advogados da empresa se perder a causa. E pode ter mais retrocessos. Um deles é a restrição dos benefícios da convenção coletiva da classe.

Este será o contexto que a diretoria do Sindigráficos, com cerca de 30% de renovação de seus quadros, assumirá o novo mandato em agosto. E já terá de enfrentar uma campanha salarial, que, em virtude da reforma trabalhista aprovada e sancionada, é considerada a mais difícil de todas. A assembleia para definição da pauta de reivindicação deve ocorrer até o dia 20 de agosto. E, na sequência, inicia oficialmente as negociações com o setor patronal. A data-base da categoria é em 1º de novembro. A participação dos gráficos nesta campanha nunca foi tão relevante do que antes. “Sem a adesão unificada dos empregados contra a aplicação nefasta da nova legislação trabalhista, as consequências serão duras. Será necessário luta”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato.

O dirigente lembra inclusive que foi por conta da baixa participação da classe trabalhadora contra a aprovação da reforma trabalhista, mesmo tendo sida alertada pelo Sindigráficos e demais entidades sindicais, que a nova lei conseguiu destruir a CLT e impor os significativos retrocessos.  “Logo, não há mais tempo para individualismos e para novos vacilos dos trabalhadores”, diz Jurandir Franco, diretor sindical. Ele lembra que falta  pouco tempo para passar a valer a mudança da lei do trabalho, portanto, não resta mais outro caminho do que restabelecer a unidade da classe para lutar coletivamente a fim de evitar consequências desta nova lei.  Desse modo, é preciso que todos se sindicalizem e participem da luta contra o rebaixamento de seus salários e perda dos direitos existentes.