EMPRESAS CORTAM MÃO DE OBRA PARA ENXUGAR CUSTOS, MAS MANTEM PRODUÇÃO COM AUMENTO DA HORA-EXTRA

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Os trabalhadores brasileiros estão fazendo mais horas extras. Pesquisa da Catho, plataforma tecnológica voltada para o mercado de trabalho, mostra que 60,7% dos empregados costumam extrapolar a jornada de trabalho, enquanto 39,3% cumprem a carga horária normal. Este movimento reflete o atual cenário de crise econômica. Para se adequar à baixa atividade econômica, as empresas cortam mão de obra para enxugar custos, mas precisam manter a produção e a produtividade. Resultado: as pessoas que ficam no emprego trabalham mais e às vezes têm que assumir mais de uma função para cumprir novas tarefas, gerando hora extra.
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A pesquisa da Catho ouviu 23.011 profissionais em todo o país, incluindo as atividades gerenciais e técnicas. Cerca de 14% dos trabalhadores consultados costumam ficar uma hora a mais após o término do horário convencional de trabalho. A maioria deles (52,7%) faz entre duas e cinco horas extras semanalmente. Apenas 6,7% dos entrevistados trabalham por mais de 16 horas além do expediente durante uma semana. A lei trabalhista permite até duas horas extras diárias, desde que sejam excepcionais e não contumazes.
Ellen Souza, assessora de carreira da Catho, diz que trabalhar além do horário normal é comum para a maioria dos brasileiros. “Em decorrência da retração do mercado de trabalho, as empresas têm a necessidade de enxugar o quadro de funcionários. Os colaboradores que ficam desenvolvem outras atividades para dar conta das metas.” Segundo ela, o momento requer do profissional maior agilidade e melhor gestão do tempo para conseguir realizar novas funções. “Quem fica poderá aprender novas funções e crescer dentro da organização. É uma oportunidade de crescimento profissional”, completa. Ellen aponta como vantagem para o trabalhador a renda extra para turbinar o salário no final do mês.
horaextra3O estudante de hotelaria Victor Nogueira, 23,trabalha no setor hoteleiro no ramo de promoção de eventos. Ele foi contratado no furacão da crise econômica e do desemprego. A equipe de quatro pessoas foi reduzida para três. “Quando eu fui contratado já sabia que iria assumir novas funções, na área comercial e operacional, mas aceitei para ter experiência.” Com as regras do jogo à mesa, Victor diz que faz hora extra para conseguir cumprir com as tarefas. “Não acho vantajoso porque hoje eu vivo para o trabalho. Nos finais de semana que eu tenho folga eu aproveito para ficar em casa e descansar.”
O professor de pós-graduação em gestão estratégica de pessoas da Faculdade dos Guararapes (FG), Odilon Medeiros, salienta que a empresa perde em produtividade e qualidade ao optar pela redução de quadros com o uso de horas extras. “Impacta na qualidade porque não tem como produzir a mesma quantidade com o número menor de funcionários.”
Medeiros alerta para o risco de queixa trabalhista quando o funcionário sai do emprego. “A hora extra não é ilegal, desde que o empregador respeite o limite de duas horas semanais.” Medeiros pondera que a hora extra deve ser usada em situação atípica e emergencial. “O trabalhador fica mais estressado, afeta a saúde e a qualidade de vida. A pessoa que não está bem de saúde não é produtiva.”
FONTE: Com informações do DIÁRIOPE