FALTA DE CRÉDITO DO GOVERNO PARA GRÁFICAS PODE FAZER LOG&PRINT DEMITIR. SINDICATO DEFENDE EMPREGOS E SETOR

Nesta segunda-feira (15), preocupado com a crise na economia sobre a vida e o emprego dos trabalhadores, que somente em 2019 reduziu 6,6 mil postos de trabalho da indústria gráfica nacional, piorando agora com os impactos sobre os negócios por conta do coronavírus e agravados pela falta de ação prática do governo federal (desgoverno), o Sindigráficos começa a se reunir com empresas em prol do setor para defenderem a preservação das gráficas e os postos de trabalho. A iniciativa começa hoje pela Log&Print em Vinhedo, maior fábrica do setor na região com 650 gráficos. A empresa, que há poucos dias afirmou ter caído em mais de 60% a sua produção e faturamento de abril em diante, é a primeira a oficializar para o Sindicato as suas críticas ao governo pelas dificuldades colocadas pelas medidas para as empresas conseguirem crédito e assim sobreviverem à  crise e manterem os empregos.  Com tais restrições, a Log&Print adianta que poderá haver demissões e que as suas operações para o segundo semestre estão em risco, se a coisa continuar como está. 

O Sindigráficos, que recebeu o oficio da Log&Print sobre a questão quase no feriado de Corpus Cristhi, mas já agendou uma reunião urgente para hoje, às 15h, tem participado de um movimento nacional em defesa do setor gráfico para a preservação das empresas e dos empregos. Sob a liderança  da Confederação Nacional dos Gráficos, tem participado desse movimento para que as entidades nacionais obreiras e patronais (Abigraf e Andigraf) possam lançar um manifesto conjunto do setor gráfico voltado para os poderes Executivo e Legislativo, cobrando desses Poderes a liberação, de verdade, dos créditos governamentais para a sobrevivência das empresas e a garantia dos empregos. O Sindigráficos aproveitará a reunião com a Log&Print para solicitar que ela apoie esse movimento para proteção do setor, buscando sensibilizar as entidades patronais a aderirem a este movimento, que é  de interesse comum para os patrões e para a classe trabalhadora.

Enquanto isso não acontece, enquanto a pandemia não para e o crédito não sai do papel, a Log&Print já comunicou ao sindicato que “Pode haver a interrupção de uma ou outra linha de produção e com isso haver a necessidade de desligamentos”. Para a empresa não há dúvida de que a crise está “agravada pela dureza do acesso a créditos, que, diferentemente da propaganda veiculada pela mídia, estão com taxas de juros muito elevadas e exagerado critério para concessão”.

A Log&Print garante que está passando pela maior crise da sua história. Contudo, até o momento, não houve nenhuma demissão. Mas a grande maioria dos 650 trabalhadores assinou acordo direto com a gráfica para a suspensão contratual e a redução de jornada/salário em 25%. Contudo, o prazo da maioria desses acordos já está terminando e os postos de trabalho estão ameaçados outra vez.

Dessa maneira, a fim de analisar a situação detalhadamente, inclusive os números internos da empresa, sobre quais os impactos reais pela covid, o Sindicato, muito preocupado com a situação, especificamente com os trabalhadores, se reunirá hoje com a direção da gráfica. “Queremos saber o que realmente está acontecendo e quais os planos da empresa para o futuro? O sindicato estará lá para defender os gráficos, mesmo todos não estando sindicalizados ainda. Inclusive é importante que isso ocorra com urgência para ampliarmos a correlação de força do interesse dos trabalhadores neste momento caótico. Analisaremos juntos com a empresa quais os melhores rumos para se encontrar alguma superação diante dessa crise descomunal”, informa Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Se está difícil para a Log&Print, que é uma empresa de grande porte, imagina para as micros e pequenas gráficas, que representam 97,1% das empresas do ramo no Brasil? Em Cajamar, Jundiaí, Vinhedo, Valinhos e mais 25 cidades da região onde o Sindigráficos atua, o setor já encolheu em 3% com relação aos postos de trabalho. A tradicional Cunha Facchini, em Itupeva, não resistiu e fechou definitivamente, demitindo todos os gráficos durante está pandemia e diante desse desgoverno.