FILHO ÓRFÃO COM MÃE VIVA. ISTO OCORRERÁ SE TEMER ELEVAR JORNADA LABORAL E TEMPO PARA SE APOSENTAR

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Ou a mulher trabalhadora não poderá ter mais filho, ou deixará ele órfão, bem como ela deixará de estudar e de decidir suas outras prioridades na vida. É isto que ocorrerá com as profissionais gráficas, por exemplo, se o presidente interino Temer aprovar leis que ampliam o tempo para elas ficaram no serviço. O então governo, que não tem uma única mulher no comando de seus ministérios, quer aumentar o tempo de contribuição da mulher ao INSS e ainda ouviu de empresários industriais a necessidade de aumentar a jornada de trabalho de 44 horas para 80 horas semanal.   O Comitê Feminino do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Jundiaí e Região (Sindigráficos) repudia essa mentalidade atrasada e desumana e chama a classe para se unir, organizar e lutar contra tamanho ataque.  

foto2Nenhuma das propostas foram aprovadas ainda, mas o governo já disse que quer elevar o tempo para a mulher e o homem se aposentaram. Ele quer inclusive igualar o tempo de contribuição delas ao do homem. Sem nenhuma sensibilidade, desconsidera que as mulheres acumulam uma dupla (tripla) jornada, cuidando dos filhos e da família e da própria casa, além de diferenças fisiológicas, por isso, aposenta-se com menor tempo. Aliado à isso, se acatar o desejo do patrão sobre a jornada, as mulheres   passarão 12 horas por dia no serviço. “Com isso, somado ao tempo que gasta no transporte, a trabalhadora, mesmo viva, deixará seu filho órfão, tamanho a ocupação só com o trabalho. E àquela que ainda não tem filho, dificilmente pensará ou poderá ter, diante dessa violenta jornada”, critica bastante Valeria Siomionatto, trabalhadora da empresa Log&Print e diretora do Sindigráficos e coordenador do Comitê Feminino do órgão.

“Quem ficará com os nossos filhos com está jornada de 80 horas de trabalho por semana? Não tem escola no mundo que fique tanto tempo com ele. Também não tem corpo e/ou saúde que suporte tanto trabalho.   E como vamos estudar? Com 44 horas, já temos que nos ‘virar nos 30. É preciso reduzir para 40 horas semanal. É isso que o governo precisa fazer”, diz Cidinha Reis, empregada da empresa Nova Página e diretora do Sindigráficos e integrante do Comitê das Trabalhadoras Gráficas.

80horasA aposentadoria das trabalhadoras também estará sob ataque do atual governo interino se ele enviar mesmo a proposta ao Congresso Nacional para reformar a Previdência. O governo quer aumentar a idade mínima de contribuição para se aposentar e ainda igualar o tempo entre homens e mulheres. “Aumentar a idade é um crime. A aposentadoria é a garantia da vida ao trabalhador(a) que tanto já contribuiu para o futuro do País. Não é justo cobrar ainda mais dele(a), ou então limitar o seu acesso, com aumento de contribuição, muito menos através da justificativa do ajuste fiscal, reclama Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindigráficos.

temerO governo interino primeiro precisa atuar para sanar os problemas na Previdências oriundo da alta sonegação dos empresários ao INSS. “O patrão continua descontando o INSS do trabalhador e não recolhe para a Previdência. Isso gera um rombo e precisa ser resolvido. Não é sobre o trabalhador que o problema existe, que já paga automaticamente tudo. Portanto, não é justo aumentar o seu tempo de contribuição ao INSS”, questiona Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Ele defende que Temer e seus ministros atuem no sentido de corrigir esta distorção, bem como traga eficiência aos mecanismos de arrecadação do INSS, sem onerar duplamente os trabalhadores, que não têm culpa da crise.

Laurindo aproveita para criticar a insensibilidade da proposta que visa igualar homens e mulheres no tempo de contribuição ao INSS. “Não se iguala os desiguais”, diz. Ele fala que as mulheres têm gestação, filhos, sofrem discriminação e preconceito no mercado de trabalho, impondo a elas maiores limitação à evolução da carreira profissional, bem como são mais suscetíveis ao adoecimento ao longo da vida laboral, além dos respectivos problemas para a recolocação no mercado de trabalho”, diz  alguns das diferenças  o advogado do Sindicato. Ele avalia que, diante dessas e de outras questões, é um absurdo falar em elevar e igualar o tempo de contribuição ao INSS, pois ficará ainda mais difícil à mulher se aposentar, e, com uma jornada de 80 horas semanal, será impossível.