GONÇALVES MUDA HORÁRIO DE TRABALHO E GRÁFICOS FICAM SEM TRANSPORTE SE NÃO FIZEREM HORA EXTRA

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Desde o início do mês, quando a empresa Gonçalves, situada na cidade de Cajamar, e que possui 500 empregados gráficos, mudou o horário de trabalho, denúncias não param de chegar no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústria Gráfica de Jundiaí e Região (Sindigráficos). Reclamações chegam por telefone, e-mail, Facebook, site e pessoalmente. Os gráficos reclamam que após a empresa mudar o horário de trabalho e também o do transporte particular dos funcionários, todos, independente de querer ou não fazer hora-extra, acabam obrigados a fazê-la diariamente, já que ficam sem opção de ir para casa após largar no horário normal, porque a condução fretada só sai no horário dos que fazem hora-extra. No local, não há transporte público perto ou que coincida com o turno de trabalho. Para evitar que os trabalhadores fiquem, na prática, obrigados a fazer tal hora-extra, bem como sem opção de transporte privado quando largar, o sindicato se reúne com a Gonçalves nesta quinta-feira, 1º de outubro.    

gonca3A empresa pode solicitar que seu funcionário faça hora-extra ao turno de trabalho, desde que seja de forma eventual, ou seja, não ocorra sempre, mas, se a carga adicional for excessiva e sistemática, não é permitida. E este problema surgiu na Gonçalves, conforme as reclamações apontam.

Este mês a empresa mudou de segunda-feira à sábado para segunda à sexta a jornada de trabalho dos seus funcionários, surgindo, a partir daí, a necessidade dos gráficos fazerem hora-extra.

“Mudar a jornada e fazer hora-extra não é errado, desde que não obrigue o gráfico a fazê-la”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O dirigente conta que há gráficos que gostam de fazê-la, mas nem todos concordam e estes ficam prejudicados na saúde, a exemplo das gestantes, e nos estudos.

gonca4“Uma hora-extra eventual tudo bem, mas o que passou a acontecer na Gonçalves não é isso”, relata o sindicalista, com base nas reclamações dos próprios funcionários da empresa. Após a mudança da jornada e do horário da condução fretada que leva os empregados quando largam, todos passaram a ser obrigados a fazer hora-extra indiretamente.

“Não há opção de ir para casa quem larga no horário normal, tendo, portanto, que esperar o ônibus fretado que só sai na hora de quem faz a extra”, conta Rodrigues. Assim, na prática, todas fazem o trabalho adicional, até mesmo os que, inicialmente, não queriam, ou não poderiam fazer.

O sindicato exigirá que a empresa mantenha a condução para quem larga no horário normal, como para quem aceita fazer a hora-extra livremente. Também reivindicará que seja feito um acordo para definir os horários de trabalho de cada expediente de trabalho.

Refeição

gonca5O Sindgráficos também solicitará a Gonçalves a ampliação do horário voltado para a refeição dos funcionários, bem como que se organize grupos de trabalhadores e se programe horários específicos para todos conseguirem se alimentar em tempo suficiente. O tempo para refeição é de uma hora de duração, mas os empregados não gozam do benefício.

“Como há muitos empregados na empresa, o tempo fica curto para eles se alimentarem porque não há logística capaz de servir todos na mesma hora”, diz Jurandir Franco, sindicalista. O dirigente fala que solicitará a empresa para explicar como funciona a sua organização interna, a fim de, a partir disso, sugere o reordenamento do tempo da refeição e a definição de grupos e de horários programados para este procedimento. O sindicato pedirá que isso seja incluído em acordo coletivo de trabalho.

Inalação de verniz

gonca6Na semana passada, quando o Sindigráficos foi entregar a Gonçalves a  solicitação oficial de reunião para tratar das reclamações, os gráficos da empresa fizeram uma denúncia sobre o forte odor de verniz, utilizado na produção, que tem se espalhando pela empresa, contaminando muitas pessoas.

As reclamações apontaram que, com a inalação constante, muitos funcionários chegaram até a passar mal. O Sindicato adianta que  reivindicará adequações necessárias para corrigir o problema, como, por exemplo, isolar a máquina que usa o verniz, se for o caso, ou ainda distribuir máscaras aos empregados, ou também criar mecanismos de ventilação que afaste o odor do verniz do contato dos trabalhadores.