GONÇALVES IMPLANTA 3º TURNO, CONTRATA MAIS GRÁFICOS E AMPLIA DIAS DE TRABALHO. SÓ FALTA O ACORDO DE JORNADA

Nesta terça-feira (18), poucos dias após assembleia com gráficos da Gonçalves em Cajamar-SP onde abriu as mobilizações da campanha salarial e ainda homenageou Edilson (trabalhador do local morto pela covid-19), o Sindicato da classe (Sindigráficos) apresentou na empresa o pedido de abertura de negociação para firmar um acordo coletivo para regulamentar a jornada de trabalho. A gráfica, que tem 500 empregados e uma forte atuação na impressão do segmento de remédios, acaba de implantar o 3º turno da produção e começou a contratar mais pessoas. Também decidiu acrescentar um dia na jornada semanal de trabalho dos gráficos dos três turnos, alegando que precisa se manter competitiva. Os gráficos apoiam a iniciativa, mas revelam o desgaste da mudança e o desconforto de terem de trabalhar todos finais de semana. O acordo de jornada, defendido pelo sindicato, busca amenizar a situação.

Na assembleia, os gráficos dos 1º e 2º turnos não se opõem à nova jornada que incluiu o sábado. Entendem os motivos colocados, mas externaram o desconforto do trabalho em todos os sábados. Desejam que a jornada neste dia seja feita de forma alternada, de 15 em 15 dias. Afinal, antes desta alteração, o serviço semanal era feito de segunda a sexta-feira. Folgava-se todos os sábados do mês. A Gonçalves alega que ela vinha perdendo a sua competitividade de mercado em relação às principais concorrentes por estes possuírem jornada com mais dias de trabalho. Os gráficos do 3º turno também entendem a nova situação e aceitam este dia a mais de trabalho. Contudo, defendem que não haja trabalho nos sábados, mas nos domingos alternados, de 15 em 15 dias.  

O Sindigráficos, que possui um número considerável de trabalhadores do local já associados e com espaço e boa perspectiva de crescimento, já atua na mediação dessa negociação. O objetivo é que a Gonçalves continue avançando nos negócios para que empregue mais pessoas, sobretudo nesta crise da pandemia, mas também que aplique a jornada com qualidade para os gráficos e alinhada à sua estratégia comercial. “O acordo coletivo com trabalho em sábados (1º e 2º turnos) e domingos (3º turno) alternados nos parece que pode se encaixar bem na questão”, adianta e defende Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

O sindicato protocolou ontem o pedido de negociação com a empresa. A entidade possui inclusive vários acordos coletivos firmados com outras gráficas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região. Apresentam condições similares à necessidade dos empregados e da Gonçalves. “Anexamos ao pedido de negociação alguns desses modelos de acordos para que a empresa possa analisar e escolher o que melhor se enquadra. Ficamos no aguardo de uma reposta para podermos atender logo os anseios dos trabalhadores e em sintonia com a estratégia da gráfica”, fala Leandro.

Na assembleia, a categoria ainda reivindicou sua recomposição salarial diante da inflação nos últimos 12 meses, bem como a mesma correção na PLR e a manutenção dos direitos da convenção coletiva de trabalho. O Sindigráficos, junto com os gráficos da Gonçalves, também promoveu um minuto de silêncio em memória a um dos trabalhadores mais antigos da empresa, Edilson Ribeiro, morto dias após contrair covid-19 no início da pandemia, mesmo estando de licença do trabalho. Apesar disso, a gráfica adotou várias medidas para proteção de todos seus funcionários.

Durante a pandemia, a Gonçalves mudou até a jornada de trabalho habitual, quando só havia dois turnos na empresa. Dobrou as equipes de trabalho, garantindo, com isso, mais dias sem a ida ao serviço, reduzindo a aglomeração na produção, através da implantação de uma jornada diária de 12h de trabalho por 36h de folga.  A empresa também protegeu o salário de todos. Não rebaixou a renda do gráfico, diferente do que fizeram muitas gráficas com a adoção de medidas do governo Bolsonaro através da redução de jornada e até a suspensão do trabalho.