GOVERNO VOLTA A IMPRIMIR LIVRO DIDÁTICO E SINDIGRÁFICOS INICIA AMANHÃ TRATATIVA COM PATRÕES POR SALÁRIO E PLR JUSTOS

Nesta terça-feira (13), os seis mil gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região, representados pelo Sindicato da classe (Sindigráficos) estarão frente a frente com o setor patronal para negociarem o reajuste salarial de todos. Logo, independente do trabalhador ser sindicalizado ou não, ele é o maior beneficiado do resultado dessa atuação sindical em seu favor. Assim, o gráfico deve ser o principal interessado na negociação, devendo está atento e envolvido nas informações e convocatórias do sindicato na hora em que foram chamados no decorrer desta nova campanha salarial. As negociações iniciam com um indicativo da retomada de produção no setor gráfico com a confirmação do início da produção de livro didático pelo maior cliente do segmento editorial, que é o governo, embora o Ministério de Educação acaba de cortar uma parte dos recursos destinados a livros do ensino básico. Apesar disso, mantem-se milhões de reais para a produção de livros para as escolas.  

Outros milhares de gráficos, cerca de 80 mil em todo estado, com exceção da classe no Grande ABC, Baixada Santista e nas cidades de Campinas e São José do Ribeirão Preto, estarão em igual situação, pois a campanha salarial é unificada entre 17 dos 19 sindicato paulistas da classe, liderados pela Federação dos Trabalhadores na Indústria Gráfica de SP (Ftigesp).

A 1ª rodada de negociação dos 17 sindicatos já será amanhã às 14h na sede do sindicato patronal (Sindigraf-SP), com sede na capital paulista. O Sindigráficos e os demais se reúnem antes na sede da Ftigesp na capital. As entidades defenderão a pauta de reivindicação dos gráficos aprovadas em assembleia nas respectivas regiões, como a de Jundiaí no último dia 14. A pauta exige um reajuste de 3% de ganho real e o descongelamento da Participação nos Lucros e Resultados, valor já estagnado há três anos.  Os demais direitos da categoria já estão garantidos até agosto de 2020.

A volta da produção dos livros didáticos do governo vem em boa hora. “Isso terá impacto econômico e produtivo nas grandes e médias gráficas, como na Log&Print com 650 trabalhadores na nossa região. Na Oceano com 200 gráficos, na D’arth com 160 e a Bercron com 70”, realça Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O mercado editorial engloba uma fatia considerável das indústrias gráficas em Cajamar, Jundiaí, Vinhedo, bem como em outras regiões do estado. O dirigente destaca outro ponto positivo que é o aquecimento sazonal das gráficas em gerais neste 2ª semestre, puxado pelas demandas das embalagens e de outros produtos.

Leandro ressalta ainda o cenário favorável da inflação para os patrões: os índices oficiais, medidos pelo INPC, estão baixos, apesar do menor poder de compra dos trabalhadores diante do aumento dos itens básicos. “Assim, um aumento salarial e da PLR de 3% acima da inflação do período não significará grande peso na folha de pagamento das empresas, mas representará um grande alívio para a vida da classe trabalhadora”, avalia Leandro. Mas só a luta dos gráficos poderá garantir suas reivindicações.

O Sindigráficos inclusive entende a necessidade da indústria, do patronal, mas sem onerar ainda mais a vida do trabalhador, que já é a mais sofrida, mesmo sendo quem produz efetivamente. A entidade é responsável, junto com o deputado federal Vicentinho (PT), com apoio inclusive do sindicato patronal, da criação de um projeto de lei para a preservação e ampliação da indústria gráfica e dos postos de trabalho através da produção de livros didáticos do governo só no País. Milhares de empregos e bilhões de reais estão indo para gráficos de fora do Brasil com a produção desses livros. O projeto de Lei evita justamente este mal e já foi aprovado pela Câmara Federal. Falta só a chancela do Senado e depois a sanção presidencial.