GRÁFICA ELEVA PERÍODO DE LICENÇA E FÉRIAS DOS GRÁFICOS AO INVÉS DE IMPOR PERDA SALARIAL DIANTE DO CORONAVÍRUS

Claro que cada caso é um caso, mas são nos momentos de crise como este do covid-19 que cada um demonstra seu valor. A gráfica Redoma em Cajamar, por exemplo, decidiu segurar as pontas o quanto for possível para não penalizar ainda mais seus empregados. Ao invés de pressioná-los com a redução salarial ao mudar sua jornada ou suspender o contrato, como já apostam várias empresas, mesmo diante da insegurança jurídica de uma medida provisória do governo federal, há gráficas que tem feito outras medidas. Em sintonia com a orientação do Sindicato da categoria (Sindigráficos), têm demonstrando a importância que dão a seus gráficos.

A Redoma manterá licenças remuneradas de boa parte dos trabalhadores que já está. Também concederá e ampliará o tempo de férias para outra parcela. “Assim, três em cada quatro gráficos na empresa continuarão em isolamento domiciliar, reduzindo o risco de contaminação pelo novo vírus, sem, com isso, gerar prejuízo à empresa, ou ameaçar empregos, salários e os direitos da classe”, conta Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região. Desde os primeiros casos da doença, a entidade montou seu comando de crise para enfrentar a situação e proteger a categoria. Basta o gráfico ligar para o fone/whats 97199 2067 ou 97100 9785, ou ainda para o telefone fixo 4492 9020.

Em nova decisão já informada ao Sindigráficos, a Redoma deverá manter em afastamento os trabalhadores por licenças e férias até o final de abril. Até semana passada, 30 gráficos estavam em licença remunerada. Mais 30 estavam de férias coletivas. Apenas 20 profissionais continuavam indo ao trabalho e alguns laboravam de sua casa pelo sistema de home-office. O critério adotado pela empresa garantiu o afastamento não somente dos empregados com idade mais velha e com algum tipo de doença crônica – estes considerados bem mais vulneráveis ao covid-19. A gráfica também liberou aqueles que usavam transporte público, protegendo-os também.

Os gráficos que continuam trabalhando possuem automóvel e o risco de contaminação é menor no percurso entre o domicilio e a gráfica. Também é reduzido a ameaça dentro da gráfica, onde, desde o início da pandemia, medidas sanitárias e de higienização são adotadas e levadas bem a sério. E não existem aglomeração no local, uma vez que a produção e o setor administrativo estão esvaziados devido ao baixo número de funcionários que permaneceram. Ainda assim, álcool em geral e outras ações existem.

O Sindicato parabeniza a postura adotada pela Redoma onde preserva o emprego, o salário e a saúde dos seus trabalhadores – atitude muito justa com seus gráficos que sempre se dedicaram para a garantia da produção e lucro da empresa, devendo, portanto, ser adotada também pelas outras gráficas em sinal de retribuição aos bons resultados já garantidos pelos seus empregados. O sindicato aproveita e reforça a insegurança jurídica dos acordos individuais de lastro coletivo que qualquer empresa venha a firmar com seus funcionários, sem a intermediação do Sindigráficos. Esta posição inclusive está posta em julgamento anteontem do STF ao negar o embargo da Advocacia Geral da União (AGU) sobre liminar à MP 936/20.