GRÁFICA FECHA APÓS 80 ANOS NO RAMO. SINDICATO GARANTE TODOS OS DIREITOS DOS GRÁFICOS E UM SALÁRIO A MAIS BASEADO NA CLT

Na última sexta-feira (8), os últimos 17 funcionários da octogenária Cunha Facchini (em Itupeva), vários deles com décadas na gráfica, despediam-se desta relação empregatícia oficialmente. A empresa, que chegou a ter 90 gráficos, mas não investia em modernização tecnologia, foi perdendo clientes por anos, antes do coronavírus. A pandemia só contribuiu para agravar e consolidar o seu encerramento no último mês.  Porém, faltava pagar estes trabalhadores que ficaram junto da empresa até o fim. A maioria era sindicalizado. O Sindigráficos agiu em defesa deles. A entidade conferiu cada direito que os profissionais teriam direito a receber. Através da homologação da rescisão contratual de todos, incluiu até o que estava faltando. Negociou inclusive um salário nominal extra para todos a título de multa da CLT, padronizou o pagamento das verbas rescisórias e agilizou a liberação do FGTS e Seguro-Desemprego.

Existiam gráficos com quatro a 25 anos de trabalho na Cunha Facchini. O temor de não receberem os seus direitos era notório. Porém, desde que soube da situação em abril, o Sindicato abriu negociação com a empresa. A realização da homologação das rescisões contratuais, por exemplo, foi importante para conferir se tudo estava dentro da ordem. “Houve somente algumas correções, estas, porém, vitais para os profissionais, a exemplo de períodos de férias não incluídos inicialmente, que levaria a uma perda de até um salário”, conta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Após conferência e revisão, a forma de pagamento das verbas rescisórias também foi definida em concordância entre todos os envolvidos. Desde o mês passado, por sinal, já começaram a ser quitadas. Esta semana será liberada inclusive a chave do recebimento do FGTS e os requerimentos para dar entrada no Seguro-Desemprego. O Sindigráficos estará acompanhando de perto cada etapa disso tudo, até a resolução definitiva.

Como boa parte dos trabalhadores já tem muito tempo de trabalho, onde cinco desses gráficos já estão até em vias de aposentadoria, o Sindicato aproveitou para tratar com a representante da Cunha Facchini sobre a elaboração e entrega de documentos previdenciários vitais para ajudar na aposentadoria da maior parte deles. “Têm gráficas, infelizmente, que não apresentam as condições insalubres nestes documentos (PPP e LTCAT). Por isso estamos pedindo a empresa que seja fidedigna”, realça Leandro.

O ruído insalubre das máquinas ou o manuseio de produtos químicos de forma habitual e permanente na gráfica, quando apresentados no Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e no Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), aceleram a aposentadoria dos gráficos. A título de contagem de tempo de serviço, a insalubridade aumenta quatro meses e 26 dias para cada ano de trabalho. O valor da aposentadoria também fica maior. Desde 2003, por exemplo, já é considerado insalubre o ruído acima de 85 decibéis. Em uma parte de 2005 e por meses de 2006, o PPP de alguns gráficos da Cunha Facchini aponta o ruído de 96 dB, o que os favorecerá.

“O fato é que onde estes gráficos estiverem trabalhando, temos certeza de que se sindicalizarão e continuarão lutando como sempre foi por aqui em nossa região”, frisa Leandro lembrando de várias lutas ao lado dos profissionais, a exemplo da vitoriosa greve de três dias na gráfica Cunha Facchini em 2013. O dirigente conclui agradecendo a confiança deles e dos outros trabalhadores que saíram antes em relação ao Sindigráficos.