GRÁFICAS EMPURRAM INÍCIO DA NEGOCIAÇÃO SALARIAL PARA QUASE NOVEMBRO – MÊS DA DATA/BASE E REFORMA TRABALHISTA

Os empregados das indústrias gráficas de Jundiaí e das demais regiões do estado devem ficar bem atentos à sinalização não oficial do Sindicato paulista patronal (Sindigraf/SP) dada à Federação obreira estadual da classe (Ftigesp) sobre o começo da negociação da campanha salarial. O patronal sinalizou para o início das rodadas só na 2ª metade de outubro, faltando poucos dias para a data-base da classe (1º de novembro). Este cenário preocupa a garantia dos direitos do gráfico, pois, se o patronato não garantir a validade das 86 cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que vencerá no final de outubro, todas essas cláusulas deixarão de existir já a partir da data-base, mesmo com a negociação em curso. E, em novembro, ainda entrará em vigor a reforma trabalhista, onde, se não houver o avanço de cláusulas na convenção para reduzir os efeitos da nova lei do trabalho, esses prejuízos serão ainda maiores.

“Se o sindicato patronal não responder oficialmente até o dia 20 o pleito dos sindicatos dos trabalhadores gráficos, a exemplo do Sindigráficos Jundiaí, para iniciar a negociação da pauta de reivindicação unificada da categoria no estado, nos, de cada sindicato não descartaremos iniciar as negociações diretamente por empresa, a fim de evitar tantos prejuízos”, conta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

O diretor sindical avalia que o órgão patronal está seguindo a orientação da Federação Estadual das Indústrias (Fiesp) no sentido de postergar o começo das negociações salarial para não definir a CCT antes de 11 de novembro – data que entra em vigor a reforma trabalhista e seus retrocessos na lei.

Contudo, a fim de barrar ou limitar os efeitos da reforma, o Sindigráficos e demais sindicatos paulistas dos gráficos, representados pela Ftigesp na negociação salarial unificada, aprovaram uma pauta de reivindicação com propostas de novas cláusulas para serem inseridas na Convenção.

Porém, Rodrigues alerta os trabalhadores que para serem incluídas será necessário unidade, organização e luta da classe na campanha salarial. Gráficos, não é à toa que o slogan da campanha é resistir para avançar.

“O cenário é complexo e perigoso para os gráficos com a chegada de novembro e sem o início das negociações, sendo preciso se prepararem para as mobilizações na campanha se o patronal não se comprometer em validar a nossa data-base logo no início das negociações, bem como se não garantir a validade dos direitos da convenção enquanto durar as rodadas, mesmo após a data-base”, fala Rodrigues.

Um bom cenário, ao menos, é que as gráficas começam a voltar e melhorar suas produções no semestre – período este que se aquece tradicionalmente todos anos. Esta condição é fundamental para auxiliar nas tratativas com os patrões.