GRÁFICO: ACEITA PAGAR MAIS PARA TENTAR SE APOSENTAR E RECEBER MENOS SE CONSEGUIR? O CAPITÃO QUER ISSO PARA VOCÊ!

Na última quinta-feira (20), dia em que Bolsonaro enviou pessoalmente ao Congresso Nacional a sua proposta para mudança das regras sobre o direito do trabalhador à aposentadoria, uma parte da classe trabalhadora, inclusive seus eleitos, notou que pode não mais se aposentar diante do que o presidente chama de “Nova Previdência”. Pela reforma proposta, o valor da aposentadoria ficará menor; aumentará os anos de contribuição ao INSS, tanto do tempo mínimo quanto do máximo. E mesmo que tenha contribuído há décadas em caso de ter emprego por tanto tempo, não se aposentar enquanto não atingir a idade mínima definida pelo ex-capitão. Sem falar na exclusão do direito do PIS para os gráficos que recebem o piso salarial da categoria e até quem recebe um pouco mais. E do fim do direito ao FGTS e da multa de 40% para o gráfico já aposentado que ficar na ativa. E até a extinção, na prática, da aposentadoria especial da classe.

Do gráfico recém-chegado na empresa ao já experiente, seja jovem ou mais velho na profissional, todos serão prejudicados por esta reforma da Previdência, que é até pior o que Temer enviou ao Congresso em 2017. O prejuízo é ainda maior sobre o gráfico que já contribuiu há muito tempo e esperava poucos anos para pedir a sua aposentadoria pela lei em vigor. “O empregado de 43 a 52 anos, mesmo tendo seguindo todas as regras, terá de trabalhar por décadas e não por anos para tentar a aposentadoria integral. Eu mesmo, que comecei em gráfica adolescente, terei de laborar mais 21 anos e não mais cinco anos para me aposentar”, alerta Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos em Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região (Sindigráficos)

A fim de chamar a atenção da parte dos trabalhadores que não percebeu ainda este golpe no direito de continuar se aposentando, mas sobretudo para iniciar a organização da classe trabalhadora contra tudo isso e entrar na luta contra a aprovação da reforma, o Sindigráficos se somou a outros sindicatos de gráficos de SP e entidades sindicais de outras categorias na Assembleia Nacional em defesa da Previdência Pública e contra o fim da aposentadoria. A atividade, que foi realizado no mesmo dia em que Bolsonaro levou a reforma para o Congresso, reuniu milhares de pessoas na praça da Sé, na capital paulista.

Cada gráfico precisa entrar nesta luta. Não adianta o movimento sindical lutar sozinho contra este aumento do tempo de contribuição e da redução do valor da aposentadoria daqueles que conseguirem e do fim de outros mais direitos, se os trabalhadores não rejeitarem também a reforma da Previdência. É preciso que cada gráfico converse com sua família, amigos do trabalho e da vida sobre os prejuízos disso tudo e pressionarem seus políticos contra a aprovação disso. “Se a reforma fosse boa, militares não estariam de fora desta proposta do ex-capitão Bolsonaro”, conta Leandro Rodrigues, , presente na assembleia que decidiu rejeitar tais mudanças.

Não há nada de bom nessa “Nova Previdência”, como a publicidade paga pelo governo tentará mostrar. Na verdade, é o fim da aposentadoria da classe trabalhadora. Também é falsa a justificativa dada para mudar a lei previdenciária. Não há rombo na Previdência. A CPI do Senado mostrou o porque da redução do caixa para pagar as aposentadorias. O governo não cobra das grandes empresas as dívidas bilionárias com o INSS e tem mantido as transferências do dinheiro da Previdência para outros fins. “É indispensável que o trabalhador entre na luta pelo direito de continuar se aposentando. Sem isso, os políticos já negociam dinheiro para aprovar o fim. Não é Nova Previdência, mas o fim dela. Lute conosco”, fala Leandro.