GRÁFICO É SOCORRIDO E MÉDICA SUSPEITA DE CORONAVÍRUS, MAS HOSPITAL NÃO FAZ TESTE E MANDA DE VOLTA PARA CASA

Nesta segunda-feira (6), completa sete dias que um gráfico da Stella, em Caieiras, está afastado do serviço e da família depois de ter sido socorrido a um hospital na capital. As suspeitas médicas indicam Pneumonia ou o Covid-19. Apesar disso, ele foi recomendado a ficar isolado dentro de um quarto de sua casa para tentar não contaminar filhos e esposa. Também foi indicado remédios frequentes para dor nas costas, calafrios e falta de ar. Mas como Carlos Martins continua sentido esses e outros sintomas do coronavírus, voltará hoje ou amanhã à unidade hospitalar em Perdizes. O drama do trabalhador e sua família só aumenta enquanto não sabem se é o covid-19. E só não sabem ainda porque o hospital se negou a fazer o teste no primeiro momento em que ele chegou no local, na última semana. O gráfico conta que o procedimento lhe foi negado porque ele não chegou desfalecido, em estado gravíssimo, conforme falou a equipe de saúde que lhe atendeu no hospital São Camilo, ao informar que estas são recomendações do Ministério da Saúde para todos os hospitais públicos e privados do Brasil.

A situação demonstra para todos os gráficos que o problema do covid-19 é grave, bem como as subnotificações dessa doença mortal frente à falta de teste junto aos doentes que vão até os hospitais ou daqueles que ficam em casa. O próprio ministro da Saúde já reconheceu que os casos do país são bem maiores, mas não estão sendo notificados pela ausência de teste para a população. “Estou doente e aflito por mim e pela minha família por não saber o que eu tenho, mas que tenho diversos sintomas da covid-19”, diz Carlos, que trabalhou na gráfica Stella até o último dia 30, após quase uma semana com dores, febre e se automedicando por achar que era só uma gripe diante das boas condições de higienização da empresa, com o álcool em gel disponível a todos, além dele não utilizar transporte público.

“Só não fizeram o teste do coronavírus em mim porque, como me falaram, porque eu estava andando e falava quando cheguei no hospital, mesmo com a médica indicando que os meus sintomas eram compatíveis com essa doença”, conta Carlos. Um procedimento alternativo foi realizado, o que só aumentou a aflição. Um exame de sangue completo indicou algum problema. Foi então feita uma tomografia computadorizada onde mostrou manchas no pulmão. A médica sugeriu que é uma pneumonia ou o início do covid-19. Ainda assim, o teste para identificar se é o vírus não foi feito. Foi seguida a recomendação do Ministério da Saúde para todos hospitais.

O gráfico foi mandado para casa e orientado a ficar isolado por sete dias da família, dos amigos, dos vizinhos e do trabalho, tomando novalgina e azitromicina. “Continuo tendo calafrios, suando muito, dor nas costas e já estou até com falta de ar”, se queixa o trabalhador. Ele deve voltar ainda hoje ao hospital em Perdizes, na esperança de que possa fazer o teste do coronavírus, a fim de ser devidamente cuidado, principalmente diante da agressividade dessa doença para a vida dele e de todos socialmente.

Por isso que o Sindigráficos da região onde Carlos trabalha montou um gabinete de crise. A entidade tem acompanhado os desafios da categoria nas empresas. E tem recomendado todos os patrões a liberarem todos os empregados (ou o maior número possível) do trabalho e remunerá-los através de licença e férias coletivas. “Pelo bem dos gráficos e sua família, esta recomendação precisa ser seguida por mais gráficas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região”, apela Leandro Rodrigues, que é presidente do sindicato e junto a três assessores da entidade tem atuado diariamente no gabinete de crise desde o último mês, montado na cidade de Jundiaí.

O sindicalista deseja que Carlos se recupere logo e alerta para todas as empresas e profissionais gráficos que as medidas de higienização dentro das gráficas são fundamentais e importantes, como a oferta de álcool em gel, o uso de máscaras e muito mais, além da atenção maior com idosos e os doentes. Porém, não se esqueçam que o gráfico da Stella só tem 44 anos de idade e gozava de boa saúde. O isolamento social é sempre a melhor resposta para enfrentar o coronavírus. Portanto, a higienização nas gráficas e indispensável, mas os patrões precisam fazer isso e mais.