GRÁFICO TEM SAÚDE E DINHEIRO EM RISCO AO DESCONHECER DOENÇA OCUPACIONAL E DIREITO NA CONVENÇÃO DA CLASSE

Até a próxima semana, continua em destaque na sociedade o debate sobre o suicídio no país. Desde 2015, o mês de setembro é voltado para campanhas de conscientização ligadas para esta questão derivada dos problemas mentais, que têm crescido inclusive no ambiente de trabalho. A depressão avança nos trabalhadores e outras enfermidades também, que poderiam ser até classificadas como doenças ocupacionais. Mas, com exceção dos problemas causadas por acidentes laborais, doenças classificadas por conta do serviço costumam ser afastadas do interesse das empresas, levando sérios prejuízos para a saúde dos empregados e perdas financeiras. Além de agravar a doença quando não classificada corretamente, poucos gráficos sabem que receberão um FGTS e INSS menores quando classificam as doenças ocupacionais como simples. E  muito menos sabem que a Convenção Coletiva (CCT) da classe garante benefícios em dinheiro e alimentos quando estão afastados e também estabilidades e outras vantagens quando voltam ao respectivo emprego.

“O patrão nem sempre mostra que a doença do trabalho é ocupacional, o que obrigaria a empresa a pagar mensalmente o FGTS do trabalhador mesmo que afastado, bem como garantiria a estabilidade no emprego do gráfico por um ano, além de não ter a redução no valor do INSS”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região (Sindigráficos). Mas, além dessas questões e do adoecimento, a lista de problemas financeiros pode ser ainda maior para o trabalhador que desconhece os seus direitos contidos na CCT. A entidade aproveitará, portanto, a campanha do Setembro Amarelo para chamar atenção para doenças e direitos relacionados contidos na CCT. A convenção inclusive pode ser baixada AQUI e está disponível no site.

Além da depressão, uma doença comum no setor gráfico, que deve ser classificada de ocupacional, é a LER. A moléstia é causada pela Lesão por Esforços Repetitivos, que nos gráficos costumam atingir sobretudo do pescoço e/ou até a ponta do dedo. Para cada parte prejudicada do corpo, a LER tem um nome diferente, sendo uma doença distinta para cada parte atingida. Um gráfico pode ter vários tipos simultaneamente. “Se for afastado por doença simples e não ocupacional, procure logo o Sindigráficos, seja LER ou outra doença. No início, podemos rever esta situação. Vamos até a empresa e temos médicos e advogados à sua disposição”, ressalta Jurandir Franco, diretor do Sindicato dos Gráficos.

A CCT dos gráficos também garante benefícios para todos afastados do trabalho por doença simples ou ocupacional. A empresa, por exemplo, é obrigada a garantir por dois meses o salário do funcionário afastado com doença simples. Deve ainda pagar todos salários do período enquanto se recusar a aceitar de volta o gráfico já reabilitado pelo aval do INSS. A empresa é obrigada a garantir cesta básica para todo gráfico afastado por doença, férias ou Licença Maternidade. Além disso, se o benefício previdenciário for menor que o salário do gráfico afastado, a empresa terá de completá-lo por até três meses. “Temos outras conquistas bem avançadas em nossa CCT e os gráficos precisam conhecê-las para não serem levados nos seus direitos, bem como devem defendê-las durante a nossa Campanha Salarial. É preciso resistir para avançar”, diz Franco.