GRÁFICOS COBRAM CONTRAPARTIDAS DAS EMPRESAS DEPOIS DE TEREM REDUZIDO SALÁRIO POR MESES NESTA PANDEMIA

Nesta quinta-feira (13), dias depois do Sindigráficos realizar assembleias com a categoria e aderir ao protocolo de negociação da campanha salarial estadual da classe junto com a Federação Paulista dos Gráficos (Ftigesp), já será realizada a 1ª rodada com o sindicato das empresas (Sindigraf-SP). A pauta de reivindicação dos trabalhadores, que já contribuíram com sua gráfica para amenizar impactos econômicos da pandemia, aceitando a redução salarial temporária através do acordo de redução de jornada e de suspensão do trabalho, cobra agora a contrapartida do patronato. A 1ª mesa de negociação será realizada de forma digital pela primeira vez em sua história, através da plataforma Zoom, por conta do novo coronavírus.    

A pauta de reivindicação dos gráficos é bem enxuta e não busca onerar o empresário, pelo contrário, cobra dele apenas o reconhecimento mínimo do esforço já feito pelos trabalhadores com a queda temporária da renda nos últimos meses, através do acordo de redução de jornada/salário e do acordo de suspensão contratual. “A pandemia já foi usada para a redução salarial, portanto, a pauta agora exige apenas a recuperação das perdas na renda diante da inflação de setembro de 2019 até o mês atual. Mesmo reajuste sobre a PLR, a qual deve ser mantida, assim como todos direitos da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, que vence no próximo dia 30. Portanto, precisa ser renovada na sua integralidade”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos de Cajamar, Jundiaí e Vinhedo.

Em suma, só é exigido a renovação da convenção e a recuperação do piso salarial e das faixas superiores com base na inflação dos últimos 12 meses. A única inovação pleiteada pelos trabalhadores é a recolocação da homologação sindical da rescisão contratual do trabalho, retirada pelos patrões logo após a aprovação da lei da reforma trabalhista, que destruiu parte da CLT (lei geral do trabalho). Tal pleito é recomendado pelo próprio sindicato patronal às empresas associadas, mas não tem sido seguido na maioria dos casos em prejuízo dos direitos dos gráficos após a demissão.  

Embora a pauta de reivindicação pareça justa, o Sindigráficos alerta todos os trabalhadores para se prepararem porque a negociação pode ser muito dura e difícil, caso o patronal queira retirar ainda mais dos trabalhadores, do que já retirou, utilizando o pretexto do coronavírus. Leandro chama atenção inclusive para o problema da negociação à distância por meio digital, como exigiu o patronal. O empresariado, representado pelo seu sindicato, marcou duas datas prévia de negociação nestas condições. A primeira rodada será agora nesta quinta-feira (13). A 2ª mesa acontecerá no dia 20, já na próxima semana. Todas serão das 15h às 17h. “Toda a categoria gráfica precisa se colocar em estado de alerta e ficar preparada para atender nossas convocatórias nos próximos dias”, fala o sindicalista.