GRÁFICOS DE JUNDIAÍ E REGIÃO FINALIZAM A CAMPANHA COM RECUPERAÇÃO DAS PERDAS SALARIAIS E GARANTIA DE DIREITOS HISTÓRICOS DA CONVENÇÃO DA CATEGORIA

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Os trabalhadores gráficos de Jundiaí e Região acabam de enfrentar e de passar por uma das campanhas salariais mais difíceis. Período marcado por uma postura mais ofensiva do patronal que se incorporou no cenário político-econômico adverso para atacar direitos e rebaixar os salários da classe. Para isso, o empresariado se apropriou da sensível instabilidade econômica, mas sobretudo da prioridade da política do atual presidente do país, que, após o afastamento de Dilma, foca na retirada de direitos sociais, trabalhistas e dos aposentados. Apesar dessa difícil conjuntura, os patrões gráficos não tiveram êxito. A razão para isso foi a resistência da categoria, liderada pelo Sindicato dos trabalhadores (Sindigráficos), que não abriu mão de lutar e de conduzir a organização e luta da classe, seja na mesa de negociação, seja na porta de diversas fábricas durante as assembleias realizadas. Não tem outra explicação para a frustração dos planos dos empresários. Este é o saldo da campanha. A resistência evitou o fim da PLR, apesar do valor se manter congelado; o banco de horas não substituirá a hora-extra de ninguém; o salário continua sendo pago no dia 5 e não no 5º dia útil e o aviso prévio especial continuará. E a inflação não defasará o salário, embora o reajuste ficou parcelado. Foi de 8,5%, sendo 5% em novembro e 3,33% sobre o salário em março/17, conforme aprovação da classe durante a assembleia na última semana.

2-copia“Foi visível e é fato inconteste que o Sindigráficos Jundiaí e grande parte dos gráficos da região resistiram fazendo a nossa parte, mas que não foi suficiente para pressionar os patrões de todo o Estado para reajustar o salário sem parcelamento, ou descongelar a PLR”, avalia o presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues.

A resistência maior era necessária, já que a negociação patronal é para todo o Estado e não só em Jundiaí e Região. Todavia, foi a disposição de luta do Sindigráficos Jundiaí e destes trabalhadores em assembleias e durante a mesa negocial, que evitaram a consolidação de uma proposta salarial abaixo da inflação e de um intervalo temporal maior entre a 1ª e a 2ª parcela do novo reajuste.

baurutaubateMais de 15 assembleias com trabalhadores foram feitas em importantes empresas na região de Jundiaí. Outras assembleias e esclarecimentos durante a campanha ocorreram em gráficas de Taubaté, Sorocaba. O Sindigráficos Jundiaí participou em todas essas atividades. “A nossa sensação é de deve cumprido, não poderia ser outra, apesar de querer mais do que a garantia de todos os direitos históricos da Convenção Coletiva de Trabalho da classe e a recuperação salarial”, diz Rodrigues.

P1-copiaor outro lado, estas garantias alcançadas durante este adverso período de instabilidade político-econômica e de ataque governamental a direitos sociais, trabalhistas e até dos aposentados, faz dessa campanha salarial vitoriosa. Muitas classes de referência aos gráficos fecharam situações bem piores: abaixo da inflação e com parcelamentos mais longos. É fato também que não houve novas conquistas para o gráfico este ano, mas não houve tais prejuízos. “E não houve conquistas por conta do cenário político-econômico, mas sobretudo por falta de participação de gráficos nas ações da campanha em nossa região e principalmente nas demais. Sem a pressão maior nas fábricas, as conquistas não vieram. Sindicatos e os trabalhadores precisam pensar nisso e mudar em 2017”, finaliza.