GRÁFICOS DO DIÁRIO/SP SE UNEM E PARAM PRODUÇÃO. PATRÃO ACEITA A GREVE, PAGA SALÁRIO E TRANSPORTE

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Cansados de trabalhar sem receber salários, transporte, alimentação, nem mesmo informação sobre as datas desses pagamentos, a revolta e a consciência de classe tomou conta dos gráficos do Diário/SP nesta quarta-feira (12). Cruzaram os braços e pararam a produção até que o patrão se posicionasse. Há três meses não recebem vale-alimentação e o salário de junho não havia sido pago. Com isso, a geladeira de muitas já não tinha nada para comer. Todos estavam com muitas dívidas (água, luz, cartão e etc.) sem ter como pagar. A família passando  necessidade, inclusive os seus filhos. Pediam até dinheiro emprestado à familiares e vizinhos para poder pagar o transporte para continuar indo ao trabalho. É isso aí. Pagavam para trabalhar. Até que decidiram dar um basta. Foi então que os trabalhadores se solidarizaram entre si e com a atuação do Sindicato da classe (Sindigráficos). E a greve iniciou, durando horas. E a situação já mudou depois de decidirem lutar diante de todo o sofrimento e de perceberem que de nada valeu dar tanto crédito ao patrão, sem a necessária unidade, organização e mobilização da classe. Nunca vale.

diario2O movimento paredista começou às 6h e foi até às 13h10. A ação teve a adesão de quase 100% dos gráficos. A mobilização, mesmo com forte aparato policial no local, só foi suspensa com o anúncio do pagamento do salário atrasado, do vale-transporte e do reconhecimento da greve pelo patrão. Ele garantiu não descontar as horas desta paralisação, bem como vai ressarcir todas horas descontadas de outro movimento antes. No dia seguinte à greve, o Sindicato confirmou com os trabalhadores o pagamento dos salários. O dinheiro foi depositado na conta de cada um. E a empresa também depositou o dinheiro referente ao vale-transporte.

diario3A greve não acabou. Só foi suspensa. Pode voltar na segunda-feira (18). Os gráficos aguardam uma resposta patronal sobre os pagamentos dos vales-alimentação, como ficou acordado para obter a trégua na greve. Ficou condicionada também uma resposta em relação ao pagamento do FGTS atrasado e as multas por vários atrasos salarial, que o jornal havia se comprometido em pagar no último dia 29, conforme negociado antes, mas a empresa não honrou. “Qualquer represália aos gráficos por conta da greve, o movimento paredista voltará a qualquer hora”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, conforme ficou acordado.

diario4Os trabalhadores também se sindicalizaram em massa ao Sindigráficos, somando-se aos outros que já eram filiados, bem como já autorizaram o sindicato entrar com uma ação coletiva na Justiça para garantir o FGTS, caso a empresa não cumpra com sua palavra no anúncio do pagamento na próxima segunda-feira. “É preciso manter a unidade e a organização para continuarmos avançando. Foi só o início. Não tem nada definido. Só houve um pequeno avanço devido a chegada dos gráficos na luta junto conosco do sindicato, que víamos negociando sozinhos com o jornal há muito tempo. Houve um salto de organização com a greve e as novas sindicalizações”, parabeniza Jurandir Franco, diretor do Sindicato.

diario5A greve é sempre o ponto auge da solidariedade entre os trabalhadores. O movimento paredista é o momento único onde o gráfico tem que optar de que lado está: se do patrão, ou da sua categoria. E quando decide aderir à greve, escolhe solidariamente unir forças em favor de um bem comum para todos. Foi isto que os gráficos do Diário/SP fizeram. Todos unidos em torno de um objetivo coletivo. Lutaram pelo salário e direitos, mas também por respeito e a dignidade que merecem. “Com a unidade dos (e entre os) trabalhadores, bem como a sua organização e sua mobilização através da liderança e da proteção de um sindicato firme, a categoria consegue vencer e afasta muitos prejuízos que acontecem.

diario6O Sindigráficos vem atuando firme. E não vacilou na hora de realizar a greve e de dar o apoio aos empregados do Diário/SP. A solidariedade da classe contou inclusive com a participação do presidente e tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Sorocaba e Região, João Ferreira e Ezequias Costa respectivamente. “Eles participaram desde os primeiros momentos da greve até sua suspensão”, agradece Rodrigues. Ferreira aproveitou para parabenizar a unidade e a consciência dos trabalhadores durante a greve, porque, desde o seu início, revoltados com a situação, já mostraram o que queriam e que lutariam todos juntos. “Vimos que é grande o descaso do patrão com seus gráficos do Diário, mas vimos aqui muita unidade entre a classe. E isso se transformará em mais conquistas logo em breve”, avaliou o sindicalista Ezequias Costa.