GRÁFICOS DO JJ E DO DIÁRIO/SP PREFEREM A RESCISÃO CONTRATUAL DO QUE TRABALHAREM SENDO SONEGADOS

Embora muitos desconheçam, os trabalhadores também podem demitir o patrão e sem perderem direitos. Isso ocorre quando a empresa deixa de cumprir seus deveres reiteradamente. É o que vem acontecendo em  principais jornais da Região de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo. O caso é tão grave que metade dos gráficos do Jornal de Jundiaí (JJ) e 30% do Diário de São Paulo, em Jarinú, procuraram o Sindicato da classe (Sindigráficos) na última segunda-feira (3). O Departamento Jurídico do órgão já está elaborando e dando entrada nos processos junto à Justiça do Trabalho.

“O caos e desrespeito patronal contra os trabalhadores passou de todos limites”, disse Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, durante a reunião com os gráficos na sede do sindicato. Desde maio, por exemplo, os funcionários do Diário não recebem salários.  E bem antes, não têm sido repassado o vale-alimentação e vale-transporte. Além disso, depois do movimento paredistas deles há algumas semanas para cobrarem os direitos, a empresa os abandonaram. Os acionistas estão brigando pelo comando do jornal e paralisaram toda produção, deixando-os largados.

O caso dos gráficos do Jornal de Jundiaí também é revoltante. Não falta problema. Além de estar pendente FGTS, 13º salário e outras questões, os empregados não recebem suas devidas remunerações pelo trabalho desenvolvido desde parte do adiantamento salarial quinzenal de maio. O fato gerou um levante há alguns dias, levando-os a cruzarem os braços. A empresa, por sua vez, além de demitir alguns funcionários, continua sem cumprir seus deveres. A situação ficou insustentável e 50% deles já procuraram o Sindicato para solicitarem a rescisão indireta de contrato.

Atrasos recorrentes de salários e FGTS, dentre outros direitos, estão na lista de falhas que pode dar aos gráficos o direito de demitirem o patrão e sem perderem seus direitos, através do pedido de rescisão indireta na Justiça do Trabalho. Um terço dos gráficos do Diário também querem. “Além da rescisão, continuaremos tentando contato com um responsável do jornal em Jarinú, pois tudo continua fechado sem ter quem notificar”, critica a irresponsabilidade da empresa, Jurandir Franco, diretor sindical.

É grande a revolta e a tristeza dos trabalhadores de ambos os jornais diante das sonegações atuais e reiteradas. Muitos inclusive estão com problemas financeiros para obter a própria alimentação e da sua família. “Os patrões mostram grande desconsideração depois de termos dado toda dedicação à empresa deles. Não mostram respeito algum conosco. Nem a baixa na nossa CTPS dão. Aliás, não dão nenhuma satisfação”, falaram alguns gráficos do Diário/SP. Igual sentimento de revolta consta nos trabalhadores do JJ, enfrentando períodos difíceis diante das falhas da empresa, que acumula férias, não paga 13º salário e atrasa o pagamento de salariais.

Tem funcionário que precisou fazer empréstimo para pagar sua moradia e alimentação. “Precisamos de ajuda e encontramos aqui no sindicato”, destacaram vários funcionários, questionando a falta de ética patronal. O Sindigráficos garante que continuará fazendo seu papel em defesa do direito dos trabalhadores. A entidade já acumula vitórias também nesta questão da rescisão indireta na Justiça. Um dos casos foi há oito anos em favor dos gráficos do Jornal da Cidade (JC). “É preciso buscar todas formas de luta para garantir o justo direito. Não desistiremos nunca”, realçam os dirigentes sindicais.