GRÁFICOS FIRMES NOS PROTESTOS EM JUNDIAÍ E CAMPO LIMPO CONTRA MORTE DO DIREITO TRABALHISTA NA TERÇA

Os senadores aliados do governo Temer decretaram o dia do extermínio dos direitos dos gráficos e demais categorias profissionais. Ao invés de  apoiarem a investigação do 1º presidente da história do país denunciado por praticar crime durante o mandato, aprovaram urgência para concluir na próxima terça-feira (11) a votação da reforma trabalhista – projeto do Temer para destruir a CLT e tirar direitos da maioria dos trabalhadores. Apesar da gravidade, parte do movimento sindical de Jundiaí e Região e a maioria da classe trabalhadora ficou aquém da greve geral na última semana, diferente do que ocorreu com sindicalistas gráficos e de outras classes. O Sindicato da categoria (Sindigráficos) e outros 15 sindicatos  participaram ativamente, inclusive com realização de bloqueios em vias de acesso ao Polo Industrial de Jundiaí e em Campo Limpo, a fim de interromper o trânsito logo no início da manhã e fortalecer a mobilização para pressionar os senadores contra este avanço da morte dos direitos.

“Lutamos e lutaremos até o fim, mas sem a adesão dos trabalhadores e da totalidade do movimento sindical, como observado na greve de sexta, a CLT será exterminada na próxima terça-feira – data que pode ocorrer a votação da reforma trabalhista no plenário do Senado”, explica Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. É necessário só 41 votos dos 81 senadores para a aprovação final e depois ser sancionada por Temer. Este número o governo já possui. Na verdade, tem até mais se levar em conta a aprovação ontem da urgência do projeto, quando teve 46 votos.

Contra isso, o Sindigráficos atuou como protagonismo nesta greve geral, coordenando os protestos do movimento sindical da região, consciente de sua responsabilidade em defender os direitos da classe e que só a luta poderá pressionar os senadores contra o assassinato da CLT, bem como contra a morte dos direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, a qual concede, por exemplo, a cesta básica mensal e PLR anual – direitos que acabarão para a maioria se a reforma passar.

O projeto permite trocar os contratos de trabalho por novas modalidades (terceirizados, temporários, intermitentes e etc.) sem direitos da CCT e sem muitos da CLT, bem como com salários e benefícios bem menores. Além disso, a reforma permite retirar direitos até de quem continuar com o mesmo contrato de trabalho. Obriga, dentre os males, banco de horas, inclusive a homologação da rescisão sem a participação dos sindicatos.

Para que estes significativos prejuízos não aconteçam, os sindicalistas gráficos e de outras 15 categorias, saíram ainda de madrugada na sexta e começaram a fazer os bloqueios nas avenidas da região. “Das 4h até às 5h, fechamos o acesso ao distrito industrial de Jundiaí; na sequência, após grande pressão policial, deixamos o local e partimos para Marginal do Rio Jundiaí, na divisa entre Campo Limpo e Várzea Paulista, onde lá bloqueamos o trânsito por quase 1 hora, reprimidos também pela PM”, conta Rodrigues. Ele explica que o objetivo foi alcançado nas atividades, pois conseguiram chamar a atenção dos trabalhadores para tal reforma. Os protestos tiveram repercussão até nos telejornais matinais da região, a exemplo do noticiário da Rede Globo. Na ocasião, os manifestantes lembraram de dizer, em coro: O Povo não é Bobo, abaixo a Rede Globo.

O movimento sindical presente seguiu depois para o centro de Jundiaí, às 10h. Na praça da Matriz, no centro comercial da cidade, realizaram uma panfletagem mostrando os riscos para os trabalhados se o Senado aprovar a reforma. Além da trabalhista, o governo Temer quer avançar ainda contra o direito da aposentadoria. Um abaixo-assinado contra tudo isso foi realizado na ocasião, contando com muitas adesões. Na parte da tarde, sindicalistas gráficos ainda se dividiram em duas atividades em defesa dos direitos da categoria. Uma parte participou da manifestação contra a reforma trabalhista na Avenida Paulista, na capital do Estado, enquanto uma outra parte auxiliava os gráficos do Jornal de Jundiaí, que estudavam um meio de pressionar a empresa a pagar direitos negados.